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21/02 - Israel lança primeira sonda para explorar a Lua nesta quinta-feira
Nave espacial deverá partir às 22h45 (horário de Brasília). Se der tudo certo, Israel será o quarto país a aterrissar na Lua, depois de Estados Unidos, Rússia e China. Lançamento será a bordo da nave Falcon 9, da SpaceX SpaceIL Israel pode se tornar o 4º país a aterrissar na Lua. Tudo começa às 22h45 (horário de Brasília) desta quinta-feira (21), quando a sonda Beresheet será lançada a bordo do foguete Falcon 9, da agência SpaceX. O lançamento ocorrerá na estação da Força Aérea do Cabo Canaveral, nos Estados Unidos. Após se soltar do Falcon 9, a sonda irá orbitar a Terra por dois meses. A chegada à Lua está prevista para abril deste ano. Todo o processo será monitorado pela Agência Espacial de Israel (ISA), pelo Instituto Weizmann de Ciência e pela agência espacial americana (Nasa). Será a primeira vez que uma sonda irá até o satélite financiada pela iniciativa privada – o projeto foi liderado pela SpaceIL, organização israelense criada em 2011 justamente para levar a primeira nave espacial do país até a Lua. Initial plugin text O principal objetivo da missão é medir o campo magnético do satélite: "O principal objetivo científico será medir o campo magnético da Lua. Isso nos ajudará a entender sua origem", disse Oded Aharonson, do departamento de Ciências da Terra e Planetárias do Instituto Weizmann de Ciência, em entrevista ao "The Jerusalem Post". Estados Unidos, Rússia e China já enviaram sondas para explorar a Lua. Neste ano, a agência espacial americana (Nasa) comemora os 50 anos de uma missão tripulada ao satélite.
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21/02 - Edição de DNA de gêmeas chinesas pode ter afetado o cérebro, aponta MIT
Artigo escrito por Antonio Regalado aponta que mudança genética pode ter influenciado além da resistência ao HIV. O cientista chinês He Jiankui afirma ter ajudado a criar os primeiros bebês geneticamente modificados no mundo. Mark Schiefelbein (AP) Em novembro de 2018, o pesquisador He Jiankui anunciou que usou o Crispr – técnica de edição genética – para modificar o DNA de gêmeos e torná-los resistentes à infecção pelo HIV. Um novo artigo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), assinado por Antonio Regalado, relaciona as mudanças nos genes com uma nova pesquisa publicada nesta quinta-feira (21) e mostra que os bebês podem também ter uma maior capacidade de aprender e formar memórias. Regalado também é autor de um texto publicado em 25 de novembro que revelou a edição do DNA dos bebês na China. Agora, ele diz que a parte editada do código das gêmeas Lulu e Nana pode influenciar na cognição e memória, além da resistência ao vírus da Aids. A mesma alteração introduzida no DNA das meninas, em um gene chamado CCR5, é alvo de uma nova pesquisa publicada na revista científica "Cell". O estudo aponta que essa alteração tornou ratos mais inteligentes, e melhorou a recuperação do cérebro após um AVC. Em entrevista a Regalado, o neurobiólogo da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, Alcino J. Silva, disse que a edição do CCR5 provavelmente afetou o cérebro das gêmeas. "A interpretação mais simples é que essas mutações provavelmente terão um impacto na função cognitiva dos bebês", disse Silva. Ele também avalia que o efeito exato sobre o cérebro das meninas é impossível de prever e é justamente por isso que a edição de DNA em humanos não deve ser feita. O Crispr é uma técnica de edição de DNA que ainda está sendo analisada e em constante publicação nas revistas. Por ser uma saída barata para a edição do código genético, a comunidade científica acendeu o sinal vermelho: nos devemos editar o DNA humano? É ético e seguro? Entenda o Crispr: a técnica de edição de DNA que pode ter criado bebês resistentes ao HIV As respostas para essas perguntas ainda não estão prontas. Por isso, o chinês que criou os bebês modificados geneticamente foi demitido da Universidade de Ciência e Tecnologia do Sul da China, local onde realizava as pesquisas. Ele chegou a ficar desaparecido por um tempo, mas foi encontrado preso em um apartamento no início deste ano, de acordo com o "The New York Times".
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21/02 - Cura do câncer: tubarões-brancos podem ajudar cientistas a pesquisar soluções
Nova pesquisa mapeou DNA de tubarões e especialistas acham que estabilidade de genoma do animal será chave na descoberta de curas para doenças ligadas ao envelhecimento. Tubarões-brancos podem ser o segredo para a cura do câncer e outras doenças relacionadas ao envelhecimento, acreditam especialistas Pixabay Tubarões-brancos podem ser o segredo para a cura do câncer e outras doenças relacionadas ao envelhecimento, acreditam especialistas. O primeiro mapa do DNA de tubarões revelou mutações que protegem esses animais de câncer e outras enfermidades. Cientistas esperam que, com mais pesquisa, seja possível aplicar as descobertas ao tratamento de doenças ligadas ao envelhecimento humano. A habilidade do tubarão-branco de reconstruir seu próprio DNA evoluiu, enquanto a nossa, não. A pesquisa foi feita por uma equipe de cientistas da Save Our Seas Foundation Shark Research Centre, da Nova Southeastern University, na Flórida. O que há nos genes dos tubarões? Genes instáveis nos seres humanos são o que nos torna vulneráveis a doenças ligadas ao envelhecimento, como câncer. Por estarem presentes há milhões de anos e serem criaturas dominantes, seu DNA evoluiu a ponto de ser capaz de se reconstruir e tolerar danos. "A instabilidade genômica é uma questão muito importante em várias doenças humanas", diz um dos líderes da pesquisa, Dr Mahmood Shivji. "Agora descobrimos que a natureza desenvolveu métodos para manter a estabilidade do genoma nessas criaturas enormes e tão antigas." "Ainda há muito a se aprender com essas maravilhas evolucionárias, inclusive informações que podem ser úteis para combater câncer e outras doenças ligadas ao envelhecimento e para melhorar tratamentos de cura de ferimentos, à medida que formos descobrindo como esses animais conseguem isso." O tubarão-branco está patrulhando os mares há pelo menos 16 milhões de anos e pode chegar a ter seis metros de comprimento e pesar até três toneladas. O DNA de tubarões é uma vez e meia mais longo que o de seres humanos, o que significa que há coisas que esses animais conseguem fazer que humanos não conseguem. Cientistas esperam desvendar esses segredos e usá-los para tratar problemas que o DNA já está resolvendo nos tubarões. Eles acham que os tubarões podem ajudar no desenvolvimento de tratamento de cura de feridas e estancamento de sangue, devido à habilidade que têm de se recuperar rapidamente de ferimentos graves. Tubarões: mais do que só dentões Essa pesquisa pode ser um passo para mudar a imagem de um dos animais mais temidos do mundo. A fotógrafa Kimberly Jeffries disse recentemente à Radio 1 Newsbeat, da BBC, que não sentiu "medo algum" quando nadou com um dos maiores tubarões-brancos do mundo, chamando Deep Blue. "É uma lição de humildade", disse ela. Ainda assim, não recomenda que ninguém pule na água com um. "São predadores, então é preciso respeitá-los", disse Kimberly. Ao caçar peixes e outros bichos no oceano, também ajudam o avanço dessas espécies, já que seu alvo são os indivíduos mais lentos e fracos. Pesquisas mostram que tubarões são importantes na luta contra o aquecimento global, já que caçam animais pequenos que produzem mais dióxido de carbono.
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21/02 - Cuidadores também precisam zelar por um sono de qualidade
Há técnicas que podem ajudar a criar um ambiente propício ao descanso Os pesquisadores já provaram que dormir tem um papel crucial para a saúde do ser humano. Quem dorme mal, ou seja, horas a menos do que deveria ou tem um sono de má qualidade – às vezes, as duas coisas – apresenta mais riscos de doença cardíaca, diabetes, pressão alta e derrame. Como dormir mantém o equilíbrio dos hormônios relacionados ao apetite, quem não prega o olho acaba sentindo mais fome, o que pode levar à obesidade. Não para por aí, porque o sono é fundamental para o bom funcionamento do cérebro. Este blog já tratou do tema sob a perspectiva dos idosos, mas como resolver o problema dos cuidadores, sempre sobrecarregados? Há algumas técnicas que podem ajudar a criar um ambiente propício ao descanso. A primeira providência é limitar ao máximo a entrada de luz no quarto: feche as cortinas, apague todas as luzes e, se possível, use uma máscara. O barulho impede que o cérebro desligue, portanto nada de TV, nem ficar conferindo mensagens ou postagens em redes sociais, que também afetam o escurinho necessário para relaxar. A temperatura ideal seria algo em torno de 20 graus. Tudo isso vai ajudar a “limpar” o pensamento da lista de tarefas do dia seguinte. O quase permanente estado de alerta provocado pela preocupação com o idoso pode ser suavizado com o uso de babás eletrônicas: o equipamento que monitora bebês funciona para qualquer faixa etária. Cuidadores devem zelar pela qualidade de seu sono: quem dorme mal corre mais riscos de doenças https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=44388468 Açúcar e cafeína são inimigos do sono, por isso fique longe deles, mas há alimentos ricos em melatonina que podem ajudar, como grãos integrais (presentes numa fatia de pão, por exemplo), aveia, nozes, uva, banana, laticínios ou chá de camomila. O desgaste físico e mental de quem cuida de um idoso é grande, mas lembre-se de se exercitar, nem que seja usando as escadas em vez do elevador, ou circulando pela casa quando está ao telefone. O site DailyCaring sugere uma técnica utilizada pelas Forças Armadas norte-americanas. O método é ensinado aos militares para que consigam dormir em condições adversas e se compõe de seis etapas: 1) Depois de colocar o telefone no modo silencioso e apenas a luz da cabeceira acesa, sente-se na beira da cama. 2) Relaxe os músculos faciais. Primeiro retese o rosto, aperte os olhos, estique a pele. Em seguida, deixe a musculatura facial afrouxar normalmente. 3) Com os braços soltos ao longo do corpo, sinta a gravidade puxar seus ombros para o chão. Depois balance os braços, um de cada vez. 4) Enquanto isso, inspire e expire, acompanhando o som da sua respiração. Em cada movimento, relaxe o peito e também deixe a gravidade fazer suas coxas e pernas pesarem. 5) Quando estiver mais solto/a e relaxado/a, tente limpar a mente por dez segundos. Foque em como seu corpo está amolecido, sem se fixar em nenhum pensamento. 6) Por último, visualize um desses cenários: você pode estar deitado/a numa canoa, num lago bem calmo, debaixo de um céu azul; ou numa rede que balança suavemente num quarto escuro. Se tiver dificuldades com a visualização, repita o mantra: “não pense, não pense, não pense” por dez segundos. Todo o processo leva cerca de dois minutos. Depois de cumprir as etapas, deite-se e apague a luz e, se tudo der certo, você estará dormindo em poucos minutos.
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20/02 - 'Como um drink me deixou cega'
Hannah Powell perdeu a visão e os rins depois de tomar uma bebida misturada a uma substância perigosa durante férias em uma ilha grega. Hannah Powell perdeu a visão e os rins depois de tomar uma bebida misturada a uma substância perigosa BBC Hannah Powell estava se sentindo exausta e não parava de vomitar após uma noite de balada com amigos em Zakynthos, na Grécia, em agosto de 2016. Mas não eram apenas sinais de uma ressaca. A jovem de 23 anos tinha bebido vodca misturada com metanol, também conhecido como álcool metílico. Ela diz que não sabia que a substância perigosa havia sido misturada à bebida. Os rins de Hannah entraram em colapso e ela ficou cega. Só percebeu que havia algo errado quando acordou no seu quarto de hotel achando que as luzes estavam apagadas. "Eu sugeri que abríssemos a cortina e meus amigos disseram que elas já estavam abertas, mas eu não percebi na hora o que estava acontecendo", disse a jovem à BBC. Hannah conta que ela e as amigas estão animadas com as férias na Grécia. Nunca imaginavam que estavam tomando vodca com uma substância perigosa Hannah Powell "Eu pensei que eles estivessem brincando, então levantei para acender as luzes. Foi aí que eu comecei a entrar em pânico, porque foi quando percebi que as luzes estavam acesas e que eu não conseguia enxergar nada." Hannah, da cidade britânica de Middlesbrough, foi levada ao hospital da ilha de Zakynthos antes de ser transferida para uma ilha maior da Grécia. Ela estava tão confusa e delirante que pensou estar sendo sequestrada. "Eu não entendia porque não conseguia enxergar. Eu pensei que fosse alguma coisa (tampando) meu olho ou na minha cabeça. Lembrava remotamente de falar com meu pai ao telefone", conta. Hannah precisou ser transferida para um hospital mais equipado, numa ilha maior da Grécia, por causa da complexidade e gravidade da situação Hannah Powell "Eu me lembro de esconder meu telefone nas axilas, pensando que fossem tirá-lo de mim." Exames feitos no hospital confirmaram que Hannah havia ingerido metanol. Haviam servido a ela, num bar, vodca falsificada, misturada à substância tóxica. Os amigos, que tinham bebido a mesma coisa, chegaram a passar mal e sentir dores no estômago, mas os sintomas passaram. "Aparentemente, gangues fazem as vodcas clandestinamente e vendem aos bares por preços mais baratos. E os bares abastecem seu estoque com essas bebidas", explica Hannah. "Então, se você é um consumidor, acha que está comprando vodca Smirnoff, mas não é. Eles colocam os líquidos em garrafas verdadeiras de Smirnoff." Hannah passou três semanas num hospital da Grécia antes de retornar ao Reino Unido Hannah Powell Hannah voltou para casa semanas depois e teve que se ajustar à nova vida, sem visão. Os rins também pararam de funcionar e ela teve que passar 18 meses fazendo hemodiálise, até receber um órgão doado pela mãe. Hannah conta que, no início, via tudo "completamente preto". Depois de um tempo, passou a enxergar tudo "muito embaçado". A jovem diz que se esforça para fazer as coisas sozinha e que espera receber um cão-guia para ganhar maior independência. "Eu costumava acordar tendo esquecido que tinha perdido a visão. Ia me arrumar e percebia que não conseguia achar minha maquiagem, meu alisador de cabelos. Eu abria uma paleta de sombras de olho e o conteúdo parecia todo preto, sendo que estava cheio de sombras de cores diferentes", diz. Até ações trivais – como fazer uma xícara de chá - ganharam novos contornos, e ela diz constantemente tropeçar em degraus e ter dificuldades em encontrar coisas. Hannah diz que seus amigos e familiares a ajudaram muito nos últimos três anos Hannah Powell Passaram-se três anos desde as férias na ilha grega que mudaram a vida de Hannah. Até agora, ninguém foi responsabilizado pelo que ocorreu. A jovem diz que álcool falsificado possivelmente ainda é amplamente vendido em locais turísticos, como Zakynthos. "Eu já não esperava que fossem punidos, mas acho que alguém deveria. Ou o bar sabia que tinha álcool manipulado ou alguém fez essa mistura. De qualquer forma, eu não tive nada a ver com isso. Eu nunca teria bebido se soubesse." Hannah afirma que está determinada a viver uma vida normal desde que perdeu a visão. Ela vai à academia e ao cinema. Faz compras e celebra o aniversário dos amigos como fazia antes. A ONG RNIB, dedicada a pessoas com deficiência visual, ajudou Hannah a voltar a trabalhar. Ela utiliza um equipamento especial para atuar com recepcionista de uma clínica médica. A mãe de Hannah, Christine, doou um de seus rins à filha Hannah Powell "Minha irmã foi maravilhosa. Ela me ajudou a voltar a usar minha maquiagem. E tivemos que ordenar as minhas roupas por cores, porque eu não conseguia identificar de que cor eram", conta. "Eu continuo saindo com meus amigos, principalmente para tomar chá ou ir ao cinema. Gostava de ir ao cinema para ficar sentada lá, parada, e observar se conseguia enxergar um pouco mais. E mesmo se não conseguisse, dava para entender o filme ouvindo e era bom simplesmente sair de casa." Hannah diz que sempre escolhe algo para focar e a ajudar a manter a postura positiva. Neste ano, está planejando se mudar para uma casa nova. Ela também quer retornar a Zakynthos um dia, porque não consegue se lembrar bem do tempo que passou lá. Espera recobrar essa memória ao voltar à ilha grega. "A última coisa que eu quero é ter medo de fazer tudo. Minha mãe se preocupa quando digo que vou para a academia. Até hoje ela pergunta: 'Como você vai chegar lá? Você consegue enxergar os carros?" "Eu não consigo ver todos os carros, mas a alternativa seria ficar em casa. Eu sou jovem e não quero me acostumar a ficar em casa por medo de sair. Eu ainda tropeço e hesito. Mas isso não me incomoda mais."
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20/02 - Como planejar seu dia para aproveitar o melhor desempenho do cérebro
Nosso cérebro tem diferentes níveis de resposta ao longo do dia. Por isso, deveríamos planejar tarefas mais complicadas para quando ele está mais ativo. Resposta cerebral varia ao longo do dia e atividades deveriam ser planejadas de acordo PIxabay Nossos cérebros não são máquinas que funcionam perfeitamente. Nossas respostas físicas aos eventos do dia a dia não são sempre consistentes. Intuitivamente, você provavelmente percebe que perde a concentração depois de comer. Mas nossas respostas neurológicas flutuam muito mais do que apenas após o almoço. Como podemos saber se a resposta do cérebro está mudando ao longo do dia de trabalho? E se soubéssemos quando ele atinge o pico de desempenho, planejaríamos o dia de forma diferente? Ao prestar atenção às diferenças neurológicas, é possível "enganar" seu cérebro para trabalhar melhor? Programe o estresse para a manhã Ser uma pessoa diurna ou noturna depende de muitos fatores: idade, sexo, questões sociais e ambientais. Evidências indicam que se você não é um tipo diurno, é melhor não forçar a se tornar um. Apesar da pregação de executivos bem-sucedidos e de algumas celebridades que seguem rígidas rotinas de malhação, mudar seu padrão de sono não resulta, necessariamente, em melhor desempenho se esse não for seu ritmo natural. A sonolência, o estado de alerta, a memória de curto prazo e até mesmo o desempenho no exercício físico estão todos ligados ao ritmo da temperatura corporal Unsplash No entanto, a manhã ainda é uma parte muito importante do dia. Um estudo com profissionais japoneses descobriu que respondemos melhor a eventos estressantes nesse período. Os trabalhadores foram submetidos a um teste de estresse duas ou 10 horas depois de acordar. Dessa forma, os pesquisadores analisaram a resposta a tarefas estressantes no início e no final da jornada de trabalho. O estudo constatou que os níveis de cortisol dos trabalhadores aumentaram significativamente após o teste inicial, mas não após o último. "O cortisol desempenha um papel importante na proteção do corpo", diz Yujiro Yamanaka, professor da Universidade de Hokkaido, no Japão. "O cortisol é o principal hormônio envolvido na resposta de 'lute ou fuja'." Sem a liberação de cortisol, partes importantes da resposta neural não acontecem. Por exemplo, o cortisol regula a pressão sanguínea e aumenta os níveis de açúcar no sangue. Isso garante que, quando você está estressado, não fique em pânico, mas que mantenha sua presença de espírito e tenha energia para fazer algo a respeito. O hormônio também restaura o equilíbrio após um evento estressante, o que significa que você conseguirá se acalmar novamente depois de uma manhã de alta pressão. Se o episódio ocorresse à noite, você continuaria se preocupando com ele. Passar continuamente por situações estressantes no final do dia pode resultar em problemas de saúde de longo prazo, como obesidade, diabetes tipo 2 e até depressão, alerta Yamanaka. "O melhor seria evitar eventos estressantes à noite se você puder." Encontre o seu pico da tarde Os níveis de cortisol podem ser mais altos no período da manhã para nos ajudar a lidar com o fato de acordar cedo. "Nem todas as pessoas são mais eficazes de manhã", diz Cristina Escribano Barreno, psicóloga da Universidade Complutense de Madri. "Provérbios como 'Deus ajuda quem cedo madruga' reforçam que nossas vidas profissionais ocorrem de manhã, então as pessoas que preferem a manhã têm uma vantagem." Nossos corpos nos preparam para as tensões do dia logo depois de acordar - por isso, é melhor aproveitar ao máximo enquanto você tem essa vantagem química. No entanto, para algumas tarefas, nossos corpos demoram para acelerar. O desempenho em tarefas simples, como fazer contas de cabeça, está relacionado à temperatura corporal - quanto mais elevada, melhor. Geralmente, nossos corpos estão mais quentes no início da noite - então, seria melhor adiar as tarefas mentais simples para este momento do dia. Esse ritmo diário é controlado pelo nosso relógio circadiano, o que significa que nossa preferência por levantar cedo ou tarde tem um leve efeito sobre esse padrão. "Em pessoas diurnas, esse pico aparece um pouco mais cedo e, para as noturnas, um pouco mais tarde", diz Konrad Jankowski, psicólogo da Universidade de Varsóvia, na Polônia. "Mas geralmente essa diferença de horário não é enorme - no máximo de algumas horas." Situações estressantes de trabalho devem ser priorizadas no início do dia, para dar chance de a pessoa voltar ao trabalho depois Pixabay O aumento da temperatura corporal - que ocorre naturalmente durante o dia - também aumenta a atividade metabólica no córtex cerebral, acelerando os processos cognitivos. "Alguns estudos mostraram que a temperatura cerebral mais alta está relacionada à transmissão sináptica mais rápida", diz Jankowski. "Aumentos artificiais na temperatura do corpo também podem aumentar o desempenho, mas apenas até níveis ligeiramente superiores a 37 graus centígrados. Um cérebro em ebulição não funciona bem." Sonolência, estado de alerta, memória de curto prazo e até desempenho no exercício físico estão todos ligados ao ritmo da temperatura corporal, diz Jankowski. Mas isso não significa, necessariamente, que a temperatura afete diretamente todos esses processos. "É mais o relógio circadiano que afeta a temperatura e outras funções. Então, com base em nosso perfil de temperatura, podemos prever nosso desempenho", explica o pesquisador. "Por exemplo, temos um risco maior de acidentes no início da manhã porque a temperatura do corpo está mais baixa, o que se traduz em níveis de sonolência mais altos e estado de alerta mais baixo." Respeite seu ciclo de sono Para tarefas mais complexas, no entanto, a melhor hora do dia depende de você ser uma pessoa diurna ou noturna. O mais importante é isolar-se das distrações - e é melhor fazer isso de acordo com seu ciclo de sono. "Pessoas que precisam realizar tarefas muito complexas, que exigem distanciamento de distrações, geralmente escolhem horas extremas, quando o resto do mundo está dormindo", acrescenta Jankowski. "Para as pessoas diurnas, isso seria de manhã cedo antes que os outros estejam acordados. Para as noturnas, o momento em que os outros já foram dormir." Podemos dizer que situações de trabalho estressantes, como fazer apresentações ou lidar com conflitos, devem ser priorizadas para o início do dia, o que permite voltar a níveis normais de estresse e ao trabalho depois. E isso lhe garante tempo para se concentrar em tarefas mais solitárias que exigem foco mental no final do dia. Mas permita-se um pouco de flexibilidade se você souber que é uma pessoa diurna ou noturna. Às vezes, a melhor maneira de preparar o cérebro para o dia de trabalho pode ser no conforto da sua própria cama.
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20/02 - O poder que o seu intestino tem sobre sua saúde e até seu comportamento
Temos trilhões de micro-organismos em nosso trato gastrointestinal e apenas de 10% a 20% deles são iguais aos de outros indivíduos; e esse 'mundo' influencia saúde, apetite, peso e humor. O microbioma do intestino influencia vários aspectos de nossa saúde Divulgação Há trilhões de micro-organismos, incluindo bactérias, fungos e vírus, no interior de seu trato gastrointestinal. Você tem em seu corpo aproximadamente o mesmo número de microrganismos, principalmente no intestino grosso, quanto de células. Mas apenas de 10% a 20% das bactérias do intestino são iguais às de outros indivíduos. Os microbiomas diferem imensamente de pessoa para pessoa, dependendo de dieta, estilo de vida e outros fatores. E eles influenciam tudo: saúde, apetite, peso e humor. Mas, embora seja uma das partes mais pesquisadas do corpo, ainda há um longo caminho a ser percorrido para se entender o intestino. A BBC Future revisou as descobertas científicas até agora. Dieta saudável A dieta tem uma enorme influência sobre o microbioma intestinal. Pesquisas mostram relações entre a dieta ocidental, tipicamente rica em gordura animal e proteína e pobre em fibras, com o aumento da produção de compostos causadores de câncer e inflamação. A dieta mediterrânea, por outro lado, que é tipicamente rica em fibras e com pouca carne vermelha, foi ligada ao aumento dos níveis de ácidos graxos fecais de cadeia curta, que tem efeitos anti-inflamatórios e melhoram o sistema imunológico. Cientistas esperam que pesquisas populacionais tragam mais avanços nessa área. Um dos projetos em andamento, o Estudo Americano do Intestino, vem coletando dados e comparando os microbiomas intestinais de milhares de pessoas dos EUA. Até agora, a pesquisa sugere que aqueles cujas dietas incluem mais alimentos à base de plantas têm um microbioma mais diversificado, diz Daniel McDonald, diretor-científico do projeto. "Não podemos ainda garantir que é o lado saudável ou não, mas suspeitamos que aqueles com uma dieta rica em frutas e vegetais têm microbiomas muito saudáveis", afirma. Mas ainda não está claro, acrescenta McDonald, se um indivíduo que mudar radicalmente sua dieta à base de plantas para uma pobre em alimentos saudáveis sentirá o impacto em seu microbioma. Probióticos Nos últimos anos criou-se um hype em torno dos benefícios dos prebióticos e probióticos para a saúde. Mas embora sejam cada vez mais usados em tratamentos, incluindo de doenças inflamatórias intestinais, como a doença de Crohn e colite ulcerativa, várias revisões científicas apontam para a necessidade de mais pesquisas sobre as cepas e dosagens mais eficazes. Em um estudo relativamente pequeno, Eran Elinav, imunologista do Instituto de Ciência Weizmann, em Israel, descobriu recentemente que algumas pessoas são imunes aos probióticos. Ele deu a 25 indivíduos saudáveis 11 cepas de probióticos ou placebos e testou seus microbiomas e sua função intestinal a partir de colonoscopias e endoscopias - antes da e três semanas após a intervenção. "Há dois grupos de pessoas: aquela cujo microbioma recebeu bem os probióticos, que colonizaram o trato gastrointestinal e, por sua vez, alteraram o microbioma; e aquela cujo microbioma foi resistente aos organismos. Nesse último grupo, os probióticos não conseguiram se estabelecer, e, por isso, não tiveram qualquer efeito", explicou. Os pesquisadores conseguiram prever em qual categoria uma pessoa se encaixaria ao examinar características de seu microbioma. A descoberta sugere, diz Elinav, que os probióticos precisam ser mais adaptados às necessidades de cada indivíduo. Saúde geral A microbiota intestinal tem um papel importante na saúde e no funcionamento do trato gastrointestinal. Há evidências de que condições como a síndrome do intestino irritável (SII) frequentemente tem relação com uma microbiota alterada. Na realidade, ela tem um papel até mais amplo na saúde, e isso é determinado em grande parte nos primeiros anos de vida. O microbioma começa a se desenvolver assim que nascemos, quando os micróbios colonizam o intestino humano. Bebês nascidos de parto normal têm mais bactérias no intestino do que os nascidos por cesariana por causa de seu contato com as bactérias intestinais e vaginais da mãe, explica Lindsay Hall, coordenadora da pesquisa de microbiomas no Instituto de Biociência Quadram. "Crianças nascidas de cesárea perdem a inoculação inicial, e alguns dos micróbios com os quais entram em contato serão da pele e do ambiente", diz Hall. "Isso é muito importante para as crianças desenvolverem seus sistemas imunológicos. Um trabalho recente sugeriu que os distúrbios no microbioma intestinal na primeira infância têm consequências negativas para a saúde do hospedeiro", diz ela. "Vários estudos mostram que as cesáreas afetam a saúde em longo prazo, e há fortes evidências de que isto aumenta o risco de desenvolver alergias e ecossistemas menos robustos, o que significa que você fica mais suscetível a mudanças e distúrbios, como antibióticos. "No entanto, não há evidências robustas do que essas diferenças significam especificamente para o sistema imunológico", afirma. Há também diferenças nos microbiomas de bebês amamentados e alimentados com fórmula. As bifidobacterium, grupo de bactérias associadas à saúde, são frequentemente encontradas no estômago de bebês amamentados. "Sabemos que as bifidobacterium podem digerir os componentes do leite materno. Eles não são normalmente encontrados na fórmula láctea, e é por isso que os bebês alimentados com fórmula têm menos dessas bactérias", diz Hall. Cientistas estão perto de entender como o intestino pode ser usado para tratar doenças. Um dos mais novos tratamentos na área é o transplante de microbiota fecal, no qual a microbiota de uma pessoa saudável é colocado no intestino de um paciente. O procedimento serve para tratar bactérias intestinais resistentes aos antibióticos, que podem infectar o intestino e causar diarreia. Embora não haja evidências conclusivas sobre o mecanismo subjacente, sabe-se que o transplante atua repovoando o microbioma com bactérias que contribuem com a tarefa. A grande questão em torno desses transplantes é definir o que é um microbioma intestinal normal. "Não estabelecemos o que é normal, mas o que é normal para cada indivíduo. Isso depende de etnia, ambiente e outras coisas pelas quais o corpo passou", diz Fiona Pereira, chefe de desenvolvimento de negócios e estratégia do departamento de cirurgia e câncer no Imperial College London, que supervisiona a pesquisa sobre a relação entre o microbioma e a dieta. Pereira diz que, se os cientistas puderem ter uma compreensão clara do que é saudável em diferentes grupos étnicos e etários, eles podem ver como o intestino de uma pessoa varia e com o que isso está relacionado - pode ser dieta, ambiente ou predisposições genéticas para certas doenças. Antibióticos Já está bem estabelecido que os antibióticos podem alterar drasticamente a microbiota intestinal. O intestino é um ambiente onde bactérias inofensivas e benéficas estão em contato muito próximo com agentes patogênicos oportunistas que causam infecções, diz Willem van Schaik, professor da Universidade de Birmingham e pesquisador principal de um novo estudo que identifica mais de seis mil novos genes de resistência a antibióticos em patógenos. Ele descobriu que a maioria desses patógenos (agentes causadores de infecções) não estavam associados a DNA que pode ser transferido entre bactérias, o que significa que não há um risco imediato de que esses genes se espalhem de bactérias normais para patógenos. Mas, muitos desses genes que são fixos em ambientes bacterianos específicos podem começar a se espalhar pelo uso excessivo de antibióticos. "Nossas descobertas destacam quantos genes resistentes estão no microbioma e poderiam ser mobilizados a se tornarem patógenos oportunistas. Elas (as descobertas) deveriam ser vistas como um alerta de que há um grande reservatório desses genes que não queremos começar a mobilizar", disse van Schaik. O cérebro O cérebro e o intestino têm um forte sistema de comunicação chamado eixo intestino-cérebro. Um órgão é essencial ao outro - estudos mostram que, sem o microbioma intestinal, o desenvolvimento do cérebro é anormal. Mas, como mostrou uma análise de 2015 do Journal of Psychiatric Research, não se sabe qual bactéria intestinal é crucial no desenvolvimento cerebral. Uma nova pesquisa vem estudando como o intestino se interliga ao cérebro, em casos como humor e saúde mental, explica Katerina Johnson, pesquisadora do eixo microbioma-intestino-cérebro da Universidade de Oxford. "Pesquisas mostram que, se pegarmos bactérias intestinais de seres humanos com depressão e colonizarmos o intestino de camundongos, os animais terão mudanças fisiológicas e de comportamento características da depressão", exemplifica. Microrganismos do intestino produzem a maioria dos neurotransmissores encontrada no cérebro humano, incluindo a serotonina, que desempenha um papel fundamental na regulação do humor. Cientistas esperam em breve conseguir entender como eles podem produzir neurotransmissores para tratar distúrbios psiquiátricos e neurológicos, como a doença de Parkinson e a esclerose múltipla. Influência no comportamento Começamos também a compreender como os micróbios intestinais influenciam o comportamento. Alguns estudos, em grande parte conduzidos em animais, sugerem que determinados tipos interferem na química cerebral e no comportamento social dos animais. Por outro lado, animais livres de germes, sem exposição a micróbios, mostraram deficits no comportamento social, e os pesquisadores descobriram que isso pode ser restaurado pela adição de tipos específicos de bactérias, como o lactobacillus, freqüentemente encontrado no iogurte. Um artigo recente intitulado Por que o microbioma afeta o comportamento? examinou a teoria de que o microbioma intestinal manipula seu hospedeiro em benefício próprio, como parasitas, para torná-lo mais sociável e, assim, facilitando sua transmissão entre indivíduos. Mas o texto argumenta que a teoria é improvável e que mudanças comportamentais provavelmente são resultado de processos que levam os microrganismos a crescer e competir no intestino, como a fermentação. "O microbioma intestinal é tão diverso que, mesmo que houvesse um tipo de bactéria produzindo substâncias químicas para manipular nosso comportamento, essa bactéria seria rapidamente superada por outras bactérias que não gastam nenhuma energia extra para produzir o composto", diz Johnson, um dos autores do artigo. O futuro A ciência ainda não definiu como seria um microbioma saudável, e uma conclusão parece ainda distante. Mas há um consenso crescente de que fatores ambientais, como dieta e antibióticos, afetam mais o nosso microbioma do que nossos genes, e que um microbioma mais diverso é melhor para nós. "Embora possamos mudar o nosso microbioma com a nossa dieta, eles parecem ter um ponto de referência para o qual costumam retornar após uma turbulência", diz Johnson. "Mas uma coisa que podemos fazer é comer mais fibras como forma de aumentar a diversidade do intestino, o que é freqüentemente associado a boa saúde." Embora tenha havido muitos avanços na pesquisa de microbiomas nos últimos anos, também permanecem alguns desafios. Um deles é a dependência de um método chamado seqüenciamento 16S rRNA, explica McDonald. Ele analisa uma região específica de um único gene que existe em todas as bactérias. O E. coli é um exemplo que mostra por que esse método é amplo demais, diz McDonald. "Embora existam E.coli patogênicas, há também E.coli que desempenham um papel neutro ou benéfico no intestino, o que seria indistinguível com o método que usamos hoje. Um aumento no nível de E.coli não significa que isto é ruim para você". O conselho de McDonald é que devemos ser cautelosos. "Há muitas coisas interessantes que a pesquisa em microbiomas trará, e há avanços em andamento, mas há pesquisas que fazemos com ratos que ainda não podem ser aplicadas em humanos porque não são seguras." Enquanto isto, o máximo que cientistas podem aconselhar é ingerir vegetais. Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Future.
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20/02 - Biólogo e quadrinista transformam artigo científico sobre o ciclo de vida dos insetos em história em quadrinhos
Lançada nesta quarta-feira (20), HQ ilustra resultados de um experimento da Universidade Federal de Goiás realizado em 2016; leia a íntegra. O biólogo Luciano Queiroz transformou um artigo científico em uma história em quadrinhos Arquivo pessoal/Luciano Queiroz Você se lembra de como aprendeu sobre o ciclo de vida dos insetos na disciplina de biologia? Nesta quarta-feira (20), um biólogo e um quadrinista lançam uma explicação sobre o tema que, ao mesmo tempo, é científica e escapa do estilo de ensino tradicional. Batizada de "Ciclos", a "aula" é toda feita em quadrinhos, que ilustram e recontam os resultados de um experimento científico realizado no interior de Goiás. Produzida em um processo de trabalho que levou seis meses, a história em quadrinhos resume em seis páginas o artigo (leia a íntegra do material abaixo). "Ciclos" - parte 1: história em quadrinhos ilustra e reconta os resultados de artigo científico sobre o ciclo de vida dos insetos Divulgação/Luciano Queiroz e Marco Merlin Essa não é a primeira parceria entre o biólogo Luciano Queiroz e o quadrinista Marco Merlin. Eles já produzem, desde 2016, o "Cientirinhas", uma parceria entre o podcast Dragões na Garagem e o Quadrinhorama, projeto pessoal de Merlin. Nas mais de 130 tirinhas já publicadas, conceitos científicos são divulgados de forma curta e bem humorada. Mas a divulgação de um artigo científico nesse formato é inédita para os dois. "Essa foi a primeira vez que transformamos um artigo científico em quadrinho. Minha ideia é experimentar um novo formato para se fazer divulgação científica. O quadrinho é um artigo científico, mas esperamos que as pessoas se entretenham enquanto o leem", explicou Queiroz ao G1. "Ciclos" - parte 2: história em quadrinhos ilustra e reconta os resultados de artigo científico sobre o ciclo de vida dos insetos Divulgação/Luciano Queiroz e Marco Merlin Experimento que virou artigo científico O biólogo, que fez a graduação na Universidade Federal de Goiás (UFG) e hoje é doutorando em microbiologia pela Universidade de São Paulo (USP), era estudante de iniciação científica quando integrou um grupo de pesquisa que foi a campo com um projeto para estudar a ecologia dos insetos. Durante cinco semanas, os pesquisadores coletaram informações sobre como os insetos se reproduzem e iniciam um novo ciclo de vida no Cerrado brasileiro, mais especificamente no município de Niquelândia (GO). O local escolhido por eles foram cinco riachos intermitentes, ou seja, que secam durante os períodos de estiagem e voltam a encher de água quando voltam as chuvas. A ideia era aproveitar o início da época de chuva para avaliar como cada espécie de inseto retornava ao riacho para um novo ciclo de procriação e colonização. Para isso, eles tiveram a ideia de montar "habitats artificiais" dentro de "bolsas" de nylon nos riachos. Cada bolsa continha um conjunto de seixos, que são pequenas rochas arrendondadas pelo fluxo da água. "Os insetos aquáticos podem viver embaixo ou na superfície dessas pedras, depende da espécie", explicou Queiroz ao G1. "Ciclos" - parte 3: história em quadrinhos ilustra e reconta os resultados de artigo científico sobre o ciclo de vida dos insetos Divulgação/Luciano Queiroz e Marco Merlin A cada semana, o grupo retirava as bolsas antigas e colocava novas no lugar. Durante cinco semanas, as bolsas retiradas eram analisadas para revelar detalhes sobre como é feita a colonização daqueles ambientes. Veja algumas das descobertas do estudo: Os primeiros insetos que aparecem nos riachos quando as chuvas recomeçam são as libélulas, as moscas e mosquitos e as efeméridas (nome popular do efemeróptero, um inseto aquático); Cada um deles se alimenta de uma forma diferente: enquanto as larvas dos mosquitos coletam plâncton e microorganismos da água, as ninfas de libélulas predam outros animais, e as ninfas dos efemerópteros se alimentam do musgo; "Ciclos" - para 4: história em quadrinhos ilustra e reconta os resultados de artigo científico sobre o ciclo de vida dos insetos Divulgação/Luciano Queiroz e Marco Merlin Já outros insetos só chegam ao riacho a partir da terceira semana após o início das chuvas. Entre eles estão os percevejos, os megalópteros e os tricópteros; Nessa época, as libélulas já deixaram o local, que é ocupado por outros insetos predadores, como os percevejos. Por outro lado, outras espécies que se alimentam do musgo na água permanecem ali; Quando os insetos já estão adultos, os insetos predadores deixam o riacho e migram para outros locais, dando continuidade ao processo que a ciência chama de "sucessão ecológica", quando existe um grande número de espécies no período inicial da colonização de um habitat, mas a população vai diminuindo com o passar do tempo. "Ciclos" - parte 5: história em quadrinhos ilustra e reconta os resultados de artigo científico sobre o ciclo de vida dos insetos Divulgação/Luciano Queiroz e Marco Merlin Artigo científico que virou história em quadrinhos Queiroz explica que o resultado do experimento foi publicado no artigo científico em 2016 e, no mesmo ano, surgiu a ideia de divulgá-lo em outro formato. "Os resultados que obtivemos demonstram de forma muito simples como ocorre a colonização de novos ambientes pelos insetos aquáticos", disse o biólogo. Ele diz que a ideia de usar o texto acompanhado de desenhos "facilita muito a compreensão do conceito de sucessão e também apresenta alguns insetos que não são tão conhecidos pela população". "Os artigos que escrevemos são histórias, contamos como surgiu a ideia, como fizemos para testá-la, os resultados que obtivemos e como isso influencia o conhecimento que já temos. Essa história é contada para um público restrito, o acadêmico. Temos conceitos, termos e nomenclaturas específicas. No caso da divulgação científica o público muda. Queremos alcançar pessoas que não são do meio acadêmico. Então, contamos a história de outra forma." Segundo o doutorando, existe a ideia de repetir a empreitada no futuro, mas ainda sem prazos definidos, já que o processo inclui muitas etapas, desde o roteiro, as cenas, a pesquisa de imagens e os diversos rascunhos, revisões e colorização. Mas a escolha do tema "Ciclos" veio da simplicidade com a qual seria possível explicar para um público mais amplo o processo de sucessão ecológica dos insetos. "Os ciclos de vida de plantas, animais e da natureza como um todo são muito poéticos e as pessoas tendem a fazer paralelos com suas próprias vidas. Esses paralelos criam laços entre o produto e o leitor." "Ciclos" - parte 6: história em quadrinhos ilustra e reconta os resultados de artigo científico sobre o ciclo de vida dos insetos Divulgação/Luciano Queiroz e Marco Merlin
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19/02 - Cirurgia ocular: a terapia genética que pode barrar 'causa mais comum de cegueira'
Pesquisadores do Reino Unido realizam tratamento experimental para combater a degeneração macular relacionada à idade. Janet Osborne espera continuar praticando jardinagem se sua perda de visão for interrompida Fergus Walsh Uma mulher britânica se tornou a primeira pessoa no mundo a ser submetida a uma terapia genética que tenta deter a forma de cegueira mais comum no Ocidente. Os cirurgiões injetaram um gene sintético na parte de trás do olho de Janet Osborne em uma tentativa de impedir a morte de mais células. É o primeiro tratamento a atacar a causa genética subjacente da degeneração macular relacionada à idade (DMRI). "Tenho dificuldade de reconhecer rostos com meu olho esquerdo porque minha visão central está desfocada. Se esse tratamento for capaz de impedir que isso piore, vai ser incrível", diz Osborne à BBC. O tratamento foi realizado com anestesia local no mês passado, no Oxford Eye Hospital, na cidade homônima, no Reino Unido, pelo médico Robert MacLaren, professor de oftalmologia da Universidade de Oxford. "Um tratamento genético precoce para preservar a visão em pacientes que, sem intervenção, perderiam a visão seria um tremendo avanço na oftalmologia e certamente algo que espero para um futuro próximo", afirmou MacLaren. Osborne, de 80 anos, é a primeira de 10 pacientes com DMRI a participar de um tratamento experimental de terapia genética, desenvolvido pela Gyroscope Therapeutics, com financiamento da Syncona, fundo de investimentos da Wellcome Trust. O que é DMRI? A mácula é a parte da retina responsável pela visão central e de pequenos detalhes. Na degeneração macular relacionada à idade, as células da retina morrem e não são renovadas. O risco de desenvolver DMRI aumenta com o passar dos anos. A maioria dos pacientes, incluindo todos os participantes do tratamento experimental, apresenta o que é conhecido como DMRI seca, em que o declínio na visão é gradual e pode levar muitos anos. Já a DMRI úmida pode se instalar subitamente e levar à perda rápida da visão, mas pode ser tratada se for diagnosticada logo. O professor Robert MacLaren aplica a injeção de terapia genética no olho esquerdo de Janet Osborne Fergus Walsh Como a terapia genética funciona? À medida que algumas pessoas envelhecem, os genes responsáveis ​​pelas defesas naturais do olho começam a apresentar anomalias e a destruir as células da mácula, levando à perda da visão. Uma injeção é aplicada na parte de trás dos olhos, introduzindo um vírus inofensivo que contém um gene sintético. O vírus infecta as células da retina e libera o gene. Isso permite que o olho produza uma proteína destinada a impedir que as células morram e a manter, assim, a mácula saudável. Em estágio inicial, no Oxford Eye Hospital, o teste foi desenvolvido principalmente para verificar a segurança do procedimento e está sendo realizado em pacientes que já perderam uma parte da visão. Se o tratamento for bem sucedido, a meta seria tratar os pacientes antes que tenham perdido qualquer percentual da visão, em uma tentativa de deter a DMRI no início. Isso teria um impacto grande na qualidade de vida dos pacientes. Expectativa para os resultados É muito cedo para saber se a perda de visão no olho esquerdo de Osborne foi interrompida, mas todos que participam do teste terão a visão monitorada. "Ainda gosto de praticar jardinagem com meu marido, Nick, que cultiva muitas verduras e legumes", conta Osborne. "Se eu puder continuar descascando e cortando os legumes, mantendo meu atual nível de independência, sem dúvida vai ser maravilhoso." Já existe um tratamento de terapia genética bem-sucedido para outro distúrbio ocular raro. Em 2016, a mesma equipe de Oxford mostrou que uma única injeção poderia melhorar a visão de pacientes com coroideremia, que, do contrário, ficariam cegos. E, no ano passado, médicos do Moorfields Eye Hospital, em Londres, recuperaram a visão de dois pacientes com DMRI implantando um curativo de células-tronco sobre a área danificada no fundo do olho. A expectativa é que a terapia com células-tronco possa ajudar muitas pessoas que já perderam a visão. Mas o tratamento experimental de Oxford é diferente porque visa a combater a causa genética subjacente da DMRI e pode ser eficaz em deter a doença antes que as pessoas fiquem cegas.
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19/02 - Superlua: veja fotos do fenômeno registrado nesta terça-feira
Imagens foram capturadas na Índia, Alemanha, Itália, entre outros países. Lua está em seu perigeu, ponto mais próximo da órbita da Terra. Nesta terça-feira (19), a Lua está cheia e em seu ponto mais próximo de sua órbita ao redor da Terra - o perigeu. Esse fenômeno é chamado de Superlua. Veja as fotos feitas pelo mundo: Lua cheia vista entre as luzes em Stuttgart, na Alemanha Sebastian Gollnow/AFP A Superlua se ergue ao lado do templo do Parthenon em Acrópole, na Grécia, nesta terça-feira (19). Louisa Gouliamaki/AFP Superlua é vista enquanto indianos trabalham em um canteiro de obras em Calcutá Dibyangshu Sarkar/AFP Moradores caminham na praia Marina, em Chennai, no sul da Índia Arun Sankar/AFP Superlua registrada em Colombo, maior cidade do Sri Lanka Ishara S. Kodikara/AFP Superlua se ergue sobre as margens do rio Loire, em Lavau-sur-Loire, oeste da França Loic Venance/AFP Superlua se ergue sobre as margens do rio Loire, em Lavau-sur-Loire, oeste da França Loic Venance/AFP Perfil de estátua no Estádio dos Mármores (Stadio dei Marmi) faz sombra contra a Superlua em Roma Tiziana Fabi/AFP Superlua registrada entre as lâmpadas de Escópia, na Macedônia Robert Atanasovski/AFP
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19/02 - O papel da vizinhança para um envelhecimento de qualidade
Laços mais fortes com a comunidade servem como rede de proteção para os idosos A psicóloga e gerontóloga Rachel Pruchno é diretora de pesquisa do Institute of Sucessful Aging, ligado à Universidade de Nova Jersey, e coordena um projeto que estuda a relação entre um envelhecimento ativo e saudável e a vizinhança na qual mora o idoso. Sua equipe quer descobrir até que ponto o lugar onde as pessoas vivem é responsável pela forma como elas envelhecem. Os pesquisadores acompanham 5.688 adultos, com idades que variam entre 50 e 74 anos, e que vivem em Nova Jersey, na costa leste dos EUA. O grupo foi recrutado entre 2006 e 2008 e passa por entrevistas a intervalos regulares. A partir das informações coletadas, artigos científicos vêm mapeando os desafios e as necessidades dos idosos. Festa de vizinhos? Essa pode ser boa opção para fortalecer laços na comunidade https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Neighbours%27_Day#/media/File:F%C3%AAte_des_voisins_(2015-05-29_21.32.30_by_Christine_und_Hagen_Graf).jpg A equipe da Ph.D. Rachel Pruch teve boas oportunidades para comprovar o papel desempenhado pela vizinhança para a construção de um envelhecimento de qualidade. Ao avaliar a extensão do estresse pós-traumático dos idosos atingidos pelo furacão Sandy, em 2012, a coesão da comunidade representou uma fonte importante para a superação da situação de adversidade. Mais de dois mil dos participantes do estudo se declararam expostos à tempestade colossal, mas o apoio das pessoas do seu entorno foi fundamental para se sentirem protegidos. Aqueles que tinham vínculos mais fortes com outros membros da região foram os que relataram níveis menos severos de ansiedade e problemas psicológicos depois do evento. Esse é um indicador da necessidade de criação de redes de proteção que envolvam os moradores. Outro desses trabalhos é a respeito da percepção sobre a falta de segurança da vizinhança, questão que pode agravar um quadro de depressão. Conhecemos o problema de perto no Brasil, e aqui crianças, adolescentes e adultos jovens são igualmente golpeados por essa chaga. A vulnerabilidade social restringe a atividade física, alimentando um círculo vicioso. Doenças crônicas também estão relacionadas a um quadro depressivo, porque limitam a capacidade funcional da pessoa e sua disposição de interagir socialmente – não custa lembrar que, por volta dos 65 anos, cerca de 70% dos indivíduos têm duas ou mais dessas enfermidades. Se o ambiente é hostil para qualquer tipo de exercício, mesmo que seja uma simples caminhada, o quadro de saúde só tende a piorar.
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19/02 - Saiba como assistir e fotografar a melhor superlua de 2019
A Lua estará cheia e mais próxima da Terra nesta terça-feira (19). Última superlua ocorreu em 21 de janeiro; foto feita em Marselha, na França Reuters De tempos em tempos, a Lua parece maior. Ela atinge o perigeu: ponto da órbita mais próximo da Terra. A tudo isso chamamos de Superlua – e a melhor do ano ocorre nesta terça-feira (19). O termo superlua foi criado em 1979 e é usado frequentemente pelos astrônomos para resumir a união do perigeu com a Lua cheia. Não é uma situação rara de apreciar, mas é uma excelente oportunidade para quem quer começar a observar o céu. "Em 19 de fevereiro, a Lua estará cheia apenas seis horas após atingir o perigeu, e será a maior e mais brilhante Lua cheia do ano. Uma outra Superlua também ocorreu em janeiro com um perigeu um pouco mais distante, a 14 horas da Lua cheia", disse Mitzi Adams, astrônomo da agência espacial americana (Nasa). Entenda os fenômenos da Superlua e Microlua Juliane Souza/G1 Detalhes importantes: A órbita da Lua ao redor da Terra tem forma elíptica - uma forma oval que aproxima e distancia o satélite do nosso planeta; O ponto mais distante dessa elipse é chamado apogeu. É quando acontece a Microlua; O ponto mais próximo é o perigeu; Quando a Lua está cheia e em seu perigeu (Superlua), ela pode parecer até 14% maior e 30% mais brilhante ao ser vista da Terra do que no momento do apogeu, segundo a Nasa. 2019 terá três Superluas Como observar? As Superluas podem ser observadas a olho nu, mas, segundo a Nasa, é difícil para os nossos olhos fazerem a distinção precisa dessas mudanças de tamanho com o satélite localizado em um lugar tão alto e em um vasto céu à noite. Como fotografar? Fotografar o fenômeno pode ser uma tarefa complicada. Por emitir bastante luz e ser fotografada normalmente quando já está totalmente escuro, a Lua acaba se tornando uma mancha branca no meio do céu. Para resolver esse e outros problemas o G1 preparou algumas dicas, confira: 1. Luz O mais importante é fazer a medição correta da luz. A Lua é um corpo celeste muito brilhante, e como na maioria das vezes ela é fotografada durante a noite, é comum que o celular faça uma medição geral do quadro (onde 90% do espaço está escuro) e a Lua vire um borrão de luz branca. Para resolver isso é preciso colocar a medição do celular exatamente em cima da Lua. Se for um iPhone, basta colocar o quadradinho sobre o satélite. No Android, é um círculo. Se o seu celular oferecer a opção de posicionar o foco em um ponto infinito, habilite-a. Aplicativos com controles manuais também podem ser utilizados para atingir a medição correta. 2. Horário Para que a foto não seja apenas um fundo preto com uma bolinha branca o ideal é fotografá-la antes que o céu esteja totalmente escuro. Um bom horário é o momento do crepúsculo, por volta das 19h, quando o céu ainda está relativamente claro e a Lua já está alta e grande o suficiente para uma boa foto. 3. Enquadramento As fotos ficam mais interessantes quando vão além da Lua sozinha com o céu de fundo. Tente incluir pessoas, árvores, pássaros ou outros elementos na composição da foto. Se você tiver acesso a algum local alto, como o topo de um prédio, fotografe de lá para ter a cidade na composição com a lua. 4. Configuração Utilize a maior resolução disponível no aparelho. Se puder escolher também a quantidade da imagem deixe sempre a opção com menor compressão. Apesar dos arquivos ocuparem mais espaço na memória, vale a troca por imagens com mais detalhes e menos ruídos causados pela compressão. Se o seu celular possuir a opção de fazer imagens com HDR, acione-a. A tecnologia aumenta a capacidade do aparelho de capturar luzes com diferentes intensidades. 5. Acessórios Por cerca de 80 reais é possível comprar um adaptador de lente teleobjetiva para o celular. Essa lente aumenta o poder do ‘zoom’ do aparelho. Como a maioria dos celulares tem uma lente bem aberta, é bastante recomendável utilizar uma dessas para fotografar a Lua. 6. Luminosidade Reduza a luminosidade para ressaltar os traços da Lua e suas cores. Tanto em iPhone quanto em Android, é só deslizar a bolinha que aparece do lado do quadradinho ou da bolinha. 7. ISO Se o celular selecionar opções manuais de fotografar, opte por diminuir ao máximo o ISO, que determina a sensibilidade da câmera. A Lua já fornecerá luz intensa o suficiente. 8. Modo contínuo Diversos celulares permitem que se tirem várias fotos em sequência enquanto se segura o botão de disparo. Esse recurso pode ser utilizado para evitar fotos tremidas. 9. Selfies/Retratos Selfies não são uma boa ideia pela baixa qualidade da câmera frontal da maioria dos telefones. Já o problema de tirar retratos de pessoas com a Lua ao fundo é a grande diferença de luz entre a pessoa e o satélite da Terra. Para que a pessoa saia bem iluminada, o celular utilizará uma configuração que provavelmente tratará a Lua como uma fonte emissora de luz muito grande. O resultado será desagradável: a Lua vai virar um borrão branco. Uma alternativa é utilizar o flash ou tirar a foto no início da noite, antes de escurecer totalmente.
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18/02 - Origem da vida: o que é LUCA, o antepassado comum dos seres vivos que habitam a Terra
Todas as espécies que povoam o planeta atualmente têm o mesmo ancestral comum - do qual a Ciência continua buscando evidências. A vida na Terra teve origem há cerca de 4 bilhões de anos Pixabay E se pudéssemos fazer a árvore genealógica de toda a vida na Terra? Imagine que essa árvore seja grande o suficiente para que consigamos identificar o momento em que todas as espécies que hoje habitam o planeta - animais, plantas, bactérias - se originaram. Essa viagem de retrospectiva teria quase 4 bilhões de anos. Na primeira linha, ela mostraria LUCA, o "parente" mais distante de todos os seres que hoje encontramos na Terra. Quando a Terra se formou, há cerca de 4,6 bilhões, de anos não havia vida - ela apareceu alguns milhões de anos depois, na água. LUCA não foi a primeira forma de vida que surgiu no planeta, mas aquela a partir da qual se desenvolveram os organismos que hoje conhecemos. O nome vem da sigla em inglês Last Universal Common Ancestor, que se traduz como Último Ancestral Comum Universal e vem de um conceito que aparecia já na teoria da evolução de Darwin. Água quente LUCA não faz referência a um exemplar específico, mas a um tipo de organismo unicelular que evoluiu por milhões de anos. Todos os seres vivos compartilham um código que traduz a informação contida no material genético - no DNA e no RNA - para viabilizar a produção dos aminoácidos que vão dar origem às proteínas - e, em última instância, à vida. O mesmo aminoácido será formado pela mesma sequência de bases nitrogenadas, ainda que ele esteja presente em animais diferentes. É assim que, de alguma forma, todos compartilhamos um pouco de LUCA. Ainda que não haja evidências físicas - como fósseis - desses organismos, estima-se, pelas características do planeta naquela etapa primitiva de desenvolvimento, que eles viviam em lagos geotérmicos nos quais a temperatura podia superar os 90ºC. O habitat seria similar às fontes hidrotermais que existem no fundo dos oceanos, que são fissuras na crosta a partir das quais emerge fluido geotermal do interior da Terra. Ou não tão quente Um estudo recente, contudo, aponta que o ambiente em que LUCA vivia não seria aquele que os cientistas pensavam até então - mas um local bem mais "fresco". Um grupo do Instituto Pasteur, na França, realizou análises genéticas e evolutivas que os levaram a concluir que nosso antepassado possivelmente não vivia em águas tão quentes. Os pesquisadores avaliaram sequências de uma proteína chamada girase reversa, que está presente nos organismos capazes de suportar altas temperaturas. As análises dos cientistas apontam que essa proteína não estava presente no LUCA e, por isso, dificilmente ele seria capaz de viver em ambientes extremamente quentes. "A mera ausência (desta proteína) nos permite deduzir informações acerca da temperatura ótima para o crescimento de organismos extintos há muito tempo, tão antigos quanto o LUCA", diz um dos pesquisadores no estudo. A Ciência continua buscando evidências concretas do LUCA no planeta - mas, se essa pesquisa estiver correta, há décadas estivemos procurando no lugar errado.
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18/02 - Por que as estações de trem do Japão são iluminadas de azul
Estudo mostrou que lâmpadas azuis eram capazes de reduzir o índice de suicídios nas estações; mas será que realmente funcionam? Estudo sugeriu que as lâmpadas azuis reduziram em 84% o índice de suicídios nas estações Kyodo/Reuters Em 2013, foi publicada uma pesquisa científica que viralizaria por meio de notícias e postagens nas redes sociais. A descoberta era surpreendente: lâmpadas azuis instaladas em estações de trem no Japão foram capazes de evitar suicídios – os cientistas chegaram a mostrar, inclusive, que as ocorrências caíram em 84%. A ideia passou a ser adotada, inspirando projetos semelhantes em muitos outros países. Mas, como acontece com muitas histórias científicas interessantes, mas complexas, alguns detalhes acabaram um pouco distorcidos no meio do caminho. Tudo começou no fim dos anos 2000, quando várias empresas ferroviárias japonesas começaram a instalar lâmpadas azuis acima das plataformas das estações de trem. Foi uma tentativa de dissuadir as pessoas de se suicidarem nestes lugares - baseada na chamada teoria do "nudge", técnica usada para influenciar comportamentos através de ações sutis, quase imperceptíveis, mas que podem ter impactos surpreendentes. O argumento, neste caso, é que a luz azul pode afetar o estado de espírito das pessoas. Um estudo em 2017 reforçou essa tese: mostrou que indivíduos que passaram por estresse psicológico voltaram mais rápido a um estado de relaxamento quando deitaram em uma sala com iluminação azul. Michiko Ueda, da Universidade de Waseda, em Tóquio, ouviu falar sobre os experimentos realizados pelas empresas ferroviárias nas plataformas das estações e foi informada que as lâmpadas azuis provaram ser um sucesso. Ueda estuda os diversos fatores que podem estar influenciando as taxas de suicídio do Japão - como a economia, desastres naturais e até mesmo discussões sobre suicídio de celebridades no Twitter. Mas ela admite que sua primeira reação às alegações das empresas ferroviárias foi de ceticismo. "Achei que devíamos acompanhar e decidi entrar em contato com a empresa ferroviária para perguntar se eles poderiam fornecer os dados", explica. As luzes azuis foram instaladas em todas as 29 estações da linha Yamanote, em Tóquio, em 2008 Damon Coulter Após analisar 10 anos de dados sobre suicídios em 71 estações de trem japonesas, Ueda e seus colegas descobriram evidências do efeito da iluminação sobre os passageiros. Eles identificaram uma redução de 84% nas ocorrências – percentual que logo foi amplamente divulgado. Infelizmente, a história não termina por aqui. Quando as reportagens sobre a descoberta foram publicadas, Masao Ichikawa, da Universidade de Tsukuba, no Japão, revisou os dados. Ele destacou que era importante distinguir entre dados coletados durante o dia e à noite em estações de trem ao ar livre. Durante o dia, as luzes podem facilmente passar despercebidas ou até mesmo ser desligadas. Ichikawa também analisou uma medida conhecida como "intervalo de confiança". As análises estatísticas sempre carregam uma incerteza inerente sobre um resultado particular - como o tamanho desse efeito - e o intervalo de confiança expressa a possível variação desses valores. O pesquisador percebeu que o intervalo de confiança da pesquisa de Ueda era bem amplo: 14% a 97%. "Estatisticamente é muito instável", diz ele. Isso significa que o efeito real (da iluminação azul) poderia ter sido muito menor. Ou seja, a redução nos suicídios poderia ser de 14% – ainda uma mudança significativa, mas não tão grande quanto a cobertura da imprensa havia sugerido. Ele esperava que seu estudo, publicado em resposta à pesquisa original no ano seguinte, desconstruísse a ideia de que as luzes azuis eram um meio de intimidação milagroso – que de alguma forma elas tinham um efeito extraordinário sobre as pessoas que estavam pensando em se suicidar. A descoberta de que a luz azul pode realmente reduzir o índice de suicídios é, no entanto, controversa Damon Coulter A instalação de barreiras de proteção e portas automáticas de segurança ao longo do vão das plataformas pode ser muito mais útil, na opinião de Ichikawa. No entanto, ele reconhece que custam muito mais caro do que lâmpadas azuis. Mas pode valer a pena se o efeito da iluminação for realmente mínimo. Desde a publicação do seu artigo, Ueda ficou impressionada com o número de pedidos de informação de empresas ferroviárias de todo o mundo - inclusive da Suíça, Bélgica e Reino Unido. "Foi incrível", diz ela. Já existem pelo menos dois exemplos de iluminação azul no Reino Unido - na passarela de uma estação na Escócia e na estação de trem do aeroporto de Gatwick. Mas Ueda não é defensora do sistema. "Sempre que alguém me perguntar se deve instalar luzes azuis ou portas automáticas de segurança na plataforma, responderei imediatamente: 'Você deve colocar portas de segurança na plataforma'", diz ela. Embora esteja ciente da questão do custo associado às portas automáticas de segurança, ela reitera que é importante entender que o efeito das lâmpadas azuis pode ser mais sutil do que alguns imaginam – e ainda não sabemos exatamente o impacto desta iluminação. Por exemplo, talvez a instalação de luzes novas e fortes - independentemente da cor - tenha levado as pessoas a se tornarem mais autoconscientes, mudando assim seu comportamento, sugere Ueda. E talvez depois de algum tempo, as luzes azuis - sendo eficazes na prevenção do suicídio - fracassem, porque as pessoas vão se acostumar a elas. Ueda está agora conduzindo um novo estudo para medir o impacto psicológico da iluminação azul, mas já existem resultados conflitantes sobre o tema. O artigo de 2017 mencionado acima sugere a ideia de que as luzes azuis poderiam acalmar, mas Stephen Westland, especialista em cores e design da Universidade de Leeds, no Reino Unido, diz que a iluminação pode não influenciar outro fator importante - a impulsividade de alguém. Experimentos realizados por seu ex-aluno de doutorado Nicolas Ciccone mostraram que, embora os participantes tenham relatado que se sentiam mais ou menos impulsivos de acordo com a cor de luz que iluminava o ambiente, as avaliações comportamentais e neurológicas não indicaram nenhum efeito mais profundo. Um teste, que previa analisar comportamento de risco, pedia aos participantes para encher um balão virtual clicando em um botão. Os cientistas prometeram a eles uma recompensa em dinheiro, caso conseguissem evitar que o balão estourasse. "Cada clique apresentava um risco maior, mas também maior potencial de recompensa", observa o estudo. "Não conseguimos nenhuma evidência que eu possa colocar a mão na consciência e dizer que a luz azul ou a luz vermelha deixam você mais impulsivo", explica Westland. E embora a terapia com luz seja consagrada como um tratamento para o transtorno afetivo sazonal, não significa necessariamente que mudanças no humor dessa ordem possam influenciar uma tentativa de suicídio. "Não há necessariamente uma relação com as atitudes que você pode tomar", diz ele. Isso não significa que as pessoas não devem esperar que maneiras inovadoras de lidar com o problema do suicídio no Japão sejam encontradas. Afinal, o país está entre os 20 do mundo com os índices mais altos de suicídio - um problema que muitos japoneses estão tentando combater e solucionar. O número total de suicídios diminuiu nos últimos anos - caiu de 34,5 mil em 2003 para 21 mil em 2017. Mas tem aumentado entre os jovens. "É difícil descrever, é muito triste", diz Ichikawa. Pode ser que a iluminação azul afete indivíduos com pensamentos suicidas, mas, até o momento, a ciência apresentou resultados pouco conclusivos. Como a própria Ueda diz, "não quero que as pessoas pensem que as luzes azuis são a solução". "Vou repetir, as pessoas devem adotar várias medidas, e as portas automáticas de segurança da plataforma são provavelmente as mais eficazes."
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18/02 - Brasileiros nascem mais entre março e maio, mas razão intriga cientistas
Nas últimas duas décadas, ocorreram 840 mil nascimentos a mais em março do que em dezembro - os meses com os maiores e menores números de nascimento nesse período. É uma diferença de 17%. Brasileiros nascem mais entre março e maio, mas razão intriga cientistas Pixabay Há uma questão científica ainda sem resposta nas estatísticas de nascimento do Brasil. Os brasileiros nascem mais entre março e maio, nove meses após o inverno. E nascem menos em novembro e dezembro - os filhos dos meses de Carnaval. Por que isso acontece ainda não é sabido. A diferença é significativa. Entre 1997 a 2017, houve 17% mais nascimentos em março do que em dezembro - os meses com os maiores e menores números de bebês nascidos nesse período. Em números absolutos, são 840 mil brasileiros a mais. A diferença também é consistente ao longo dos anos. Desde o início da série histórica de nascimentos no Brasil, nos anos 90, há uma alta a partir de março, e uma queda a partir de novembro. Assim, o gráfico de nascidos mês a mês lembra uma frequência cardíaca, com um padrão que se repete. Os dados foram levantados pela BBC News Brasil com base no Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc), do Ministério da Saúde, que é notificado sobre todos os nascimentos no país. Outras fontes de dados, como as estatísticas do Registro Civil do IBGE e do Seade, mostram o mesmo padrão ao longo do ano. Quando a bióloga e matemática americana Micaela Elvira Martinez, professora da Escola de Saúde Pública da Universidade de Columbia, olhou os dados brasileiros pela primeira vez, ficou perplexa: "Eu fiquei extremamente surpresa: 'uau, eles (brasileiros) têm uma sazonalidade de nascimentos muito forte". Brasileiros nascem mais entre março e maio, mas razão intriga cientistas BBC A "sazonalidade" citada por Martinez se refere ao comportamento "sazonal" dos nascimentos por apresentam meses de pico e de baixa que se repetem ano após ano da mesma maneira. É um fenômeno observado na maioria dos países do mundo. O que muda são os meses em que ocorre a alta e a baixa, bem como a diferença entre o número de nascimentos nesses dois pontos. "Se não houvesse sazonalidade, todo mês nasceria uma quantidade equivalente de pessoas", explica Morvan de Mello Moreira, da Fundação Joaquim Nabuco, um dos únicos pesquisadores brasileiros que se debruçou sobre esse tema. A particularidade do Brasil - que deixou Martinez surpresa - é que o país é um dos casos com maior sazonalidade de nascimentos conhecida. "Na maioria dos Estados americanos, nós vemos uma diferença de 6% a 8% entre o mês de pico (com maior número de nascimentos) e o mês de vale (com menor número), comparado com os cerca de 20% que vocês têm", diz a professora de Columbia, que já analisou dados de mais de uma centena de países. Mas a ciência ainda não sabe por que isso acontece - nem no Brasil, nem nos outros países. "Até hoje a gente não tem muita certeza, não podemos afirmar com segurança qual é a causa", diz Moreira. "Essa é uma grande pergunta em aberto", acrescenta Martinez, PhD em Biologia Evolutiva e Ecologia. "(A sazonalidade dos nascimentos) é um fenômeno conhecido há muito tempo, há relatos com mais de um século. Então, é surpreendente que nós ainda não tenhamos a resposta definitiva para uma pergunta tão fundamental para nossa espécie." Uma das hipóteses é que o ciclo de nascimentos é provocado por mudanças no comportamento sexual ao longo do ano. Entram aí, por exemplo, um possível aumento da frequência de relações sexuais no inverno ou a abstinência por motivos religiosos no período da quaresma. Outra hipótese é que a fertilidade humana pode aumentar ou diminuir de acordo com as mudanças nas condições ambientais ao longo do ano - principalmente, a quantidade de luz natural e a temperatura. Porém, ressalta Martinez, é preciso muito mais estudos para testar essas e outras hipóteses. "Essa é realmente uma questão em aberto". Região Norte é exceção A alta de nascimentos em março e queda em novembro ocorre em todo o Brasil, exceto na região Norte. Nos Estados da Amazônia, os nascimentos são mais distribuídos ao longo do ano, com dois picos pouco acentuados: o principal em setembro e outro mais leve em março. Dessa forma, nas últimas duas décadas, a diferença entre o número de nascidos em março e dezembro foi de apenas 5% na região - bem abaixo da média nacional, de 17%. No outro extremo, estão Nordeste e Sudeste, com as maiores sazonalidades do país. Nessas regiões, a diferença entre o número de nascimentos em março e dezembro alcançou 20%, no mesmo período. "Eu nunca tinha ouvido falar disso, mas faz sentido. No começo do ano, tem muita gente grávida. Só no meu trabalho e na igreja tem umas quatro meninas para ganhar neném", diz Karine Fernanda de Almeida, de Brasilândia, zona norte de São Paulo, grávida de sete meses de Pedro. O parto está previsto para abril - o meio do período de pico. "Tem lógica (que nasçam mais pessoas nessa época), porque no inverno rola mais clima (de namoro). No verão, com esse calor, ninguém quer ficar junto", brinca Karine. O Estado onde a sazonalidade é mais forte é a Bahia, com 26% mais nascimentos em março que em dezembro. Na principal maternidade de Salvador, a Maternidade de Referência Professor José Maria de Magalhães Netto, a alta de partos entre março e maio chamou tanto a atenção dos profissionais de saúde da instituição que chegou-se a considerar que esse quadro poderia ser fruto de um aumento nas concepções durante as festas juninas - associação posteriormente descartada por falta de evidências científicas. Em alguns pontos do Brasil, o fenômeno é ainda mais forte, como na pequena Feira da Mata, cidade baiana de 6 mil habitantes, a cerca de 800 quilômetros de Salvador. Nos últimos anos, Feira da Mata teve mais que o dobro de nascimentos em março em relação a dezembro. A diferença fica visível no negócio de Madson Ravany, sócio da Mundo Encantado Festas, que aluga materiais para festas de aniversário na cidade. Segundo ele, o movimento entre os meses de março a maio é três vezes maior que o visto no final do ano. Outro reflexo se dá na única escola estadual da cidade, o Colégio Filomena Pereira Rodrigues. Entre os alunos, há um número muito maior de aniversários de março a maio do que de outubro a dezembro. "Talvez seja porque aqui é muito calor e o pessoal espera ficar mais fresco para namorar. E no Carnaval o pessoal usa muito preservativo", aposta, em tom de brincadeira, Davi Dias Rocha, vice-diretor do colégio. Ele levantou os dados dos aniversários na escola a pedido da BBC. "Eu nunca tinha imaginado que era assim". Hipóteses ainda não confirmadas Mudanças na atividade sexual ao longo do ano são, de fato, uma das hipóteses para explicar a sazonalidade dos nascimentos, diz Martinez, da Universidade de Columbia. Outra hipótese importante são mudanças na fertilidade. "Esses são os dois principais fatores. É possível que, ao longo do ano, a quantidade de atos sexuais desprotegidos varie. E também é possível que homens e mulheres apresentem mudanças sazonais na fertilidade, que nós não percebemos", explica. A combinação desses dois fatores explica por que a sazonalidade de nascimentos é bastante comum entre espécies de animais, segundo Martinez. "Muitos animais só se reproduzem e são férteis ao longo de uma pequena janela de tempo no ano." Dessa forma, os filhotes acabam nascendo em períodos específicos - que podem ser estações com mais comida, clima mais favorável à sobrevivência, menor incidência de doenças ou de predadores. Assim, é possível que, há milhares ou milhões de anos, questões como essas também tenham sido importantes para a espécie humana. O resultado pode ter sido alteração na fertilidade e nos hábitos sexuais nas diferentes estações do ano. "Então, a ideia é que, talvez, os humanos não sejam tão diferentes dos animais. Apesar das mulheres ovularem todos os meses e serem capazes de engravidar em qualquer momento do ano, e os homens produzirem espermatozoides continuamente, pode haver diferenças na fertilidade ao longo do ano. E isso é algo que nós ainda não sabemos", completa a bióloga e matemática. Relação entre latitude e mês com mais nascimentos Em um estudo publicado em 2014 no periódico científico Proceedings of the Royal Society, Martinez e outros pesquisadores organizaram uma base de dados com milhões de nascimentos ocorridos no hemisfério Norte nas últimas décadas. Ao analisar essas informações, os cientistas identificaram uma correlação entre latitude e mês do ano em que nascem mais pessoas. Quanto mais ao norte, mais os picos de nascimentos tendiam a ocorrer no começo do ano. A maioria dos países europeus, por exemplo, têm um maior número de nascimentos em maio. Já nos Estados Unidos, localizado ao sul da Europa, o pico de nascimentos é um pouco mais tarde, entre julho e setembro - um estudo de um professor de Harvard identificou que 16 de setembro era o dia de aniversário mais comum entre os americanos. Mas como a mudança de latitude poderia interferir nos nascimentos? A duração do dia e da noite varia de acordo com a latitude. Regiões em latitudes distantes do Equador têm noites mais longas e dias mais curtos - e vice-versa, dependendo da estação do ano. Já em locais próximos do Equador, a duração do dia e da noite muda muito pouco ao longo do ano. Dessa forma, a latitude interfere na quantidade de luz natural disponível. Além disso, a latitude também influencia na temperatura. A hipótese, então, é que mudanças nessas condições poderiam alterar a fertilidade humana - mas, novamente, nada disso foi provado. O estudo da equipe de Martinez não analisou dados do hemisfério Sul. Mas, desde o ano passado, a pesquisadora passou a trabalhar com dados brasileiros. Assim, espera entender se a correlação entre latitude e mês de pico de nascimento também se repete por aqui. "Esse é um dos motivos que me fizeram ficar surpresa com os dados sobre os Estados da Amazônia no Brasil. Nessa região, os dias são muito constantes, cerca de 12 horas de dia e 12 horas de noite, ao longo de todo ano. E nessa região os nascimentos são menos sazonais", diz a pesquisadora. Influência da escolaridade da mãe Mas como explicar que a maior parte do Brasil tenha o mesmo calendário de nascimentos, sendo que as regiões são tão diferentes entre si? Para Moreira, da Fundação Joaquim Nabuco, isso é um enigma. "O Brasil tem dimensões continentais, variabilidade de clima, uma população volumosa e muito diferenciada. As sociedades do Sul e do Centro-Oeste são muito diferentes. O clima das duas regiões também. Mesmo assim, elas guardam essa similaridade nos nascimentos. Não conseguimos ter uma explicação para isso", diz. O pesquisador analisou os dados brasileiros em detalhes. Além da região Norte, encontrou apenas uma segunda variável que modifica significativamente o padrão dos nascimentos no Brasil: a escolaridade da mãe. Entre 1997 e 2017, filhos de mães sem nenhuma instrução nasceram 30% mais em março do que em dezembro. Já no caso de mães com nível superior, a diferença no número de nascimentos nesses dois meses foi de apenas 10%. Para Martinez, da Universidade de Columbia, isso pode estar relacionado ao planejamento familiar - mulheres com maior escolaridade usam mais métodos contraceptivos. Uma forma de testar essa hipótese seria verificar como eram os nascimentos no Brasil antes da existência de anticoncepcionais. Porém, faltam dados antigos - as primeiras informações são da década de 1990. Em países que têm estatísticas anteriores, como os Estados Unidos, os pesquisadores verificaram que, no passado, a variação dos nascimentos ao longo do ano era ainda maior. "Nos anos mais recentes, a sazonalidade dos nascimentos está diminuindo e ficando cada vez mais fraca. E isso pode ser uma consequência de haver cada vez mais planejamento familiar", diz a bióloga americana. Pela falta de estatísticas do século passado, não sabemos se isso também está ocorrendo no Brasil. Se estiver, então é possível que, um dia no futuro, os bebês concebidos no inverno brasileiro deixem de ser a maioria.
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17/02 - A vida com acufeno, síndrome do zumbido constante no ouvido: ‘Estou há 5 anos sem saber o que é silêncio’
Mesmo em seus melhores momentos, Natalie Lue escuta um leve chiado vindo de seu próprio corpo. Aos quatro anos, foi diagnosticada com um transtorno no ouvido. Imagine escutar um zumbido nos ouvidos, como um rádio fora de sintonia, só que de forma constante e no interior de sua cabeça. "Estou há cinco anos sem saber o que é silêncio", diz Natalie Lue à BBC. Acufeno é o termo usado quando uma pessoa escuta sons provenientes do próprio corpo, e não de uma fonte externa. "Mesmo quando meu acufeno está leve, bem distante do nível que pode alcançar em seu pior momento, sigo escutando um chiado de baixa frequência", lamenta Natalie. Sintomas do acufeno O acufeno pode afetar qualquer pessoa, mas é mais frequente entre quem tem mais de 65 anos. Com frequência, as pessoas que têm acufeno dizem escutar um "zumbido nos ouvidos", mas o som pode variar entre assobios, rugidos, cliques e sussuros. Lue diz que escuta todos os tipos de sons e que eles se tornam mais intensos conforme seu estado emocional. "Para mim, o maior desencadeador é o estresse. Se estou fazendo coisas demais, se estou estressada emocionalmente por algo, ou se ao estresse se acrescenta a falta de sono, meu acufeno se agrava muito." O que provoca o acufeno Segundo a Clínica Mayo e o NHS, o serviço britânico de saúde, há várias causas que podem provocar ou agravar o acufeno. Às vezes, ocorre por danos nas células do ouvido interno. Os cílios são como micropelos, muito delicados e que se movem dentro do ouvido em reação à pressão das ondas sonoras. Nosso cérebro interpreta esses sinais como sons. Se os cílios se dobram ou se rompem, podem criar um fluxo de impulsos elétricos sem que realmente haja um som. Mas geralmente as causas do acufeno são as seguintes: exposição a sons altos; perdas auditivas; danos na cabeça; infecção auditiva; efeito secundário de meditação; estresse. Em alguns casos, a causa do acufeno tem a ver com transtornos crônicos de saúde e lesões ou doenças que afetam os nervos do ouvido interno ou o centro auditivo do cérebro. Prevenção e tratamento do acufeno Todo mundo pode experimentar períodos curtos de acufeno, segundo o NHS, especialmente depois de um show. A exposição a sons altos é um dos desencadeadores, assim como o estresse - como ocorre com Natalie Lue. "O que funciona melhor para mim é me cuidar, manejar a carga de trabalho e manter o estresse sob controle", diz ela. Outras formas de prevenir o acufeno são usar proteção auditiva quando houver ruídos fortes, não abusar do volume com que se ouve música ou se vê um filme, e manter uma boa capacidade cardiovascular, pois o acufeno pode ocorrer por uma deficiência no funcionamento dos vasos sanguíneos. Não há um meio único de tratá-lo, mas os médicos costumam recomendar terapia sonora, terapia cognitivo-comportamental, ou terapia de retreino de acufeno.
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17/02 - Jogo criado por cientistas da UFU auxilia na reabilitação de pacientes que sofreram AVC
Trabalho está em fase de desenvolvimento, mas já apresenta resultados satisfatórios. Na pele de uma harpia, o paciente tenta reaprender a desenvolver movimentos nos braços Divulgação/UFU “Hoje foi um dia muito emocionante. Uma paciente que fez apenas oito sessões e não tinha função nenhuma, conseguiu movimentar o braço dela”. Este é o relato da educadora física Isabela Alves Marques, que está à frente de um tratamento para pessoas com sequelas nos braços após terem sido acometidas por Acidente Vascular Cerebral (AVC). A emoção de Isabela é compreensível e contagiante. Normalmente, para esse tipo de caso os resultados só começam a aparecer depois de 12 sessões. No entanto, a paciente, uma mulher de 34 anos que sofreu um AVC em maio de 2018, surpreendeu a todos ao registrar esse movimento voluntário. O tratamento faz parte de uma pesquisa que irá compor a tese da Isabela. Formada em Educação Física, ela está cursando o doutorado e a tarefa tem sido árdua e ao mesmo tempo inspiradora. O tratamento A pesquisa desenvolvida pela Isabela Alves Marques e pela equipe de pesquisadores Gabriel Cyrino, Júlia Tannús e Leandro Mattioli, com orientação dos professores Eduardo Lázaro Martins Naves e Edgard Afonso Lamounier Júnior, do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica da Faculdade de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Uberlândia (Copel/Feelt/UFU), envolve a utilização de um jogo que foi desenvolvido no Laboratório de Computação Gráfica da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Ao todo serão feitas 16 sessões, com duração de 30 a 45 minutos, em que o paciente irá movimentar os braços conforme interage com o jogo. Para participar é necessário que o paciente tenha espasticidade em algum dos braços - ou seja, uma rigidez que não permite o esticamento total após ter sofrido o AVC. Já pessoas que tenham aplicado botox - tipo de tratamento para espasticidade - ou com problemas de fala ou cognitivos não podem fazer parte do estudo. “Queremos ver se o jogo influencia no controle motor de uma pessoa que sofreu AVC. O paciente tem uma contração involuntária do braço, acarretando em dor e o inabilita para desenvolver as atividades que fazia costumeiramente. Estamos dando o jogo para que o cérebro reaprenda essa função e pessoa volte a fazer os movimentos. Depois, vamos quantificar isso”, explicou Isabela. Um dos pesquisadores do estudo, Gabriel Cyrino,contou um pouco mais sobre o trabalho desenvolvido. “Os jogos eram usados para diversão, mas com a mesclagem no âmbito fisioterapêutico conseguimos uma melhoria bastante interessante. Com os movimentos massantes que o paciente têm que fazer na fisioterapia, ele pode ter um desgaste maior ou desmotivar. Por isso, a gente decidiu desenvolver um jogo para auxiliar na reabilitação de membros superiores em pacientes que sofreram AVC”, explicou. Porém, é importante lembrar que a equipe não aconselha aos pacientes que já fazem fisioterapia abandonem o tratamento. “Ainda falamos em uma terapia complementar. Oferecemos a reabilitação com o jogo, mas se a pessoa já faz fisioterapia, não pedimos para interromper. Não podemos dizer para que o paciente pare tudo e teste apenas o nosso tratamento”, acrescentou Isabela. Retorno e acessibilidade Sobre o futuro do tratamento, Isabela e a equipe esperam que o mesmo ajude muitas pessoas e seja acessível a todos os públicos. Atualmente, o sensor utilizado para se jogar remotamente custa R$ 50. A ideia é que futuramente o jogo seja disponibilizado no site da UFU e a equipe médica acompanhe as ações dos pacientes em tempo real. Uma das alternativas é focar em parcerias. “Queremos devolver ao público o estudo que eles pagaram para a gente”, disse Isabela, se referindo ao fato de a tese estar sendo desenvolvida em uma universidade pública. No entanto, alguns passos ainda precisam ser dados antes de se chegar ao objetivo final. “Ainda temos que finalizar o trabalho, ver se realmente funciona e, ainda, se será viável”, pontuou a pesquisadora. “Por ser da área da saúde, acredito que a pesquisa precisa levar benefícios para o público. Sempre quis fazer algo que pudesse ser palpável e oferecer benefícios. A pesquisa ao lado da população pode trazer sucesso”, afirmou Isabela, que está emocionada com os resultados do trabalho. Jogo foi desenvolvido no Laboratório de Computação Gráfica da UFU Divulgação/UFU Quer jogar? O jogo desenvolvido pelo mestrando Cyrino acontece em uma floresta tropical onde o paciente controla uma harpia, pássaro bem parecido com uma águia. No cenário existem outros animais, como crocodilo, tigre, pássaros e cobras, que servem de desafio no jogo. Na prática é um vídeo game. Por meio do painel de controle é possível configurar como será cada sessão e cadastrar as informações de cada paciente. Também é possível realizar a customização do jogo, alterando partes gráficas, controles e a interface multimodal. Além disso, os desenvolvedores tomaram o cuidado de não impor desafios que possam desanimar o paciente. “Ele vai primeiro realizar movimentos simples de virar à direita, esquerda, subir e descer e, depois movimentos mais complexos”, explicou Marques. Lembra do sensor citado pela Isabela? De forma bem resumida, ele funciona assim: o jogo é controlado por meio de um aparelho chamado Myo. O equipamento consegue capturar os movimentos do braço do paciente, sendo possível regular sua precisão. Já para calcular o grau de espasticidade do paciente foi desenvolvido um dispositivo no Núcleo de Tecnologia Assistiva (NTA), pelas mestrandas Andressa Rastrelo Rezende e Camille Marques Alves, do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Biomédica (PPGeb/UFU). “A gente decidiu fazer esse equipamento a partir do método linear do estiramento tônico. Ele vai coletar tanto o sinal do eletromiográfico quanto a variação angular, que é o quanto a pessoa consegue esticar o braço. pessoa volte a fazer os movimentos, o equipamento pega os dados e quantifica um certo valor em graus de espasticidade. Isso vai ajudar na reabilitação, além de informar o quanto houve de melhora”, esclareceu ela. You win! Nesse jogo, não há perdedores, nem game over. Conforme explica Isabela, os dados serão analisados e levantados o percentual de melhora de cada paciente. Depois, os resultados relativos à reabilitação e quantificação dos dados irão compor a tese da doutoranda. Já o pesquisador Cyrino focará nas informações sobre o impacto do jogo na reabilitação dos membros superiores. Essas informações farão parte da dissertação dele. Os atendimentos serão realizados no Núcleo de Tecnologia Assistiva (NTA), no Campus Santa Mônica da UFU. As inscrições podem ser feitas por meio do telefone (34) 99677-4474.
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17/02 - Por que o olho no olho é tão poderoso?
A troca de olhares com uma pessoa nos torna mais autoconscientes, já que nosso cérebro entende que estamos lidando com outra mente e ficamos mais conscientes das ações do outro; também tentamos analisar a personalidade das pessoas baseadas em se elas nos olham no olho ou se desviam o olhar durante a conversa. Você, sem dúvida, já passou por isso: em meio a um lugar barulhento e lotado, cruza seu olhar com o de outra pessoa. É quase como uma cena de filme - o resto do mundo vai desaparecendo e você e essa outra alma estão momentaneamente conectados pelo conhecimento mútuo de que vocês estão se olhando. É claro que o contato visual nem sempre é tão empolgante - afinal, é algo natural na maioria das conversas casuais -, mas ele é quase sempre importante. Olho. Divulgação Fazemos suposições sobre as personalidades das pessoas baseadas se elas nos olham no olho ou se desviam o olhar durante a conversa. E quando passamos por estranhos na rua ou em algum outro lugar público, podemos nos sentir rejeitados se eles não fizerem contato visual. Isso tudo você já sabe por conta de sua experiência cotidiana. Psicólogos e neurocientistas têm estudado o contato visual há décadas e suas descobertas revelam muito mais sobre seu poder, incluindo o que nossos olhos revelam e como o olho no olho muda o que pensamos sobre a outra pessoa que nos mira. O mundo ao redor para Por exemplo, uma constatação recorrente é que o olhar fixo no outro prende a nossa atenção, tornando-nos menos conscientes do que está acontecendo ao nosso redor (aquele "desaparecendo" que mencionei anteriormente). Além disso, encontrar o olhar de alguém quase imediatamente envolve uma série de processos cerebrais, pois entendemos o fato de estarmos lidando com a mente de outra pessoa que está olhando para nós. Como consequência, nos tornamos mais conscientes da ação dessa outra pessoa, de que ela tem uma mente e uma perspectiva própria - e isso nos torna mais autoconscientes. Você pode ter notado esses efeitos de maneira mais evidente se você já foi observado pelo olhar intenso de um macaco em um zoológico: é quase impossível não ter a sensação de que eles são seres conscientes que estão te julgando e examinando. Até mesmo olhar para um retrato pintado que parece estar fazendo contato visual com você mostrou desencadear uma série de atividades cerebrais relacionadas à cognição social - isto é, em regiões envolvidas em pensar em nós mesmos e nos outros. Não surpreendentemente, o drama de perceber que somos o objeto de outra mente é muito perturbador. Medo do contato visual Considere um estudo recente de pesquisadores japoneses. Voluntários olharam para um vídeo de um rosto e, ao mesmo tempo, completaram um desafio que envolvia a criação de verbos para combinar vários substantivos (para dar um um exemplo: se eles ouviam o substantivo "leite", uma resposta adequada seria "bebida"). Os voluntários sofreram mais nesse desafio de palavras (mas apenas com os substantivos mais complicados) quando o rosto no vídeo parecia estar fazendo contato visual com eles. Os pesquisadores acham que esse efeito ocorreu porque o contato visual - mesmo com um estranho em um vídeo - é tão intenso que ele suga nossas reservas cognitivas. Uma pesquisa semelhante descobriu que encontrar o olhar direto do outro também interfere em nossa memória de trabalho (nossa capacidade de manter e usar informações em mente por curtos períodos de tempo), na nossa imaginação e no nosso controle mental, no sentido de nossa capacidade de suprimir informações irrelevantes. Pode ajudar na concentração Você deve ter vivido esses efeitos em primeira mão, talvez sem perceber, sempre que manteve contato visual com outra pessoa para se concentrar melhor no que estava dizendo ou pensando. Alguns psicólogos até recomendam desviar o olhar como uma estratégia para ajudar crianças pequenas a responder perguntas. Além de fazer nosso cérebro trabalhar mais, a pesquisa também mostra que o contato visual molda a percepção da pessoa que está nos olhando. Por exemplo, geralmente percebemos que as pessoas que fazem mais contato visual são mais inteligentes, mais conscientes e sinceras (pelo menos nas culturas ocidentais) e nos tornamos mais inclinados a acreditar no que dizem. É claro que muito contato visual também pode nos deixar desconfortáveis - e as pessoas que olham fixamente podem parecer doidas. Em um estudo recente realizado em um museu de ciências, psicólogos tentaram estabelecer a duração preferida do contato visual. Eles concluíram que, em média, são três segundos de duração (e ninguém preferia olhares com mais de nove segundos). Fusão de seres Outro efeito registrado do olho no olho pode ajudar a explicar por que esse momento de contato visual em uma sala pode às vezes parecer tão atraente. Um estudo recente descobriu que a troca mútua de olhares leva a uma espécie de fusão parcial das pessoas: achamos os estranhos com os quais fizemos contato visual mais parecidos conosco em termos de personalidade e aparência. Talvez, no contexto certo, quando todos estejam ocupados conversando com outras pessoas, esse efeito aumente a sensação de que você e a pessoa que te olha estão compartilhando um momento especial. A química do contato visual não termina aí. Caso vocês decidam se olhar mais de perto, você e seu parceiro de olhar descobrirão que o contato visual também conecta vocês de outra maneira, em um processo conhecido como "mímica de pupila" ou "contágio de pupila" - que mostra como as pupilas dos dois se dilatam e se contraem em sincronia. Isso foi interpretado como uma forma de mimetismo social subconsciente, uma espécie de dança ocular, e essa seria a visão mais romântica desse ocorrido. Mas recentemente essa teoria foi vista com ceticismo, com os pesquisadores dizendo que o fenômeno é meramente uma resposta a variações no brilho dos olhos da outra pessoa (de perto, quando as pupilas da outra pessoa se dilatam, isso aumenta a escuridão da cena, fazendo suas pupilas se dilatarem também). Pupilas Isso não quer dizer que a dilatação da pupila não tenha um significado psicológico. Voltando aos anos 1960, os psicólogos estudaram o modo como nossas pupilas se dilatam quando estamos mais excitados ou estimulados (em um sentido fisiológico), seja por interesse intelectual, emocional, estético ou sexual. Isso levou a um debate sobre se rostos com pupilas mais dilatadas (às vezes tomadas como um sinal de interesse sexual) são percebidos pelos espectadores como mais atraentes. Pelo menos alguns estudos de outras décadas e alguns mais recentes sugerem que isso acontece - e também sabemos que nossos cérebros processam automaticamente a dilatação das pupilas de outras pessoas. De qualquer maneira, séculos antes desta pesquisa, a sabedoria popular certamente considerava as pupilas dilatadas atraentes. Em vários momentos da história, as mulheres usaram até mesmo um extrato vegetal para dilatar deliberadamente suas pupilas como forma de torná-las mais atraentes (daí o nome coloquial da planta: "beladona"). Janelas da alma Mas quando você olha outra pessoa profundamente nos olhos, não pense que são apenas as pupilas que mandam uma mensagem. Outra pesquisa recente sugere que podemos ler emoções complexas dos músculos dos olhos - isto é, se uma pessoa está fechando ou abrindo bem os olhos. Então, por exemplo, quando uma emoção como nojo nos faz estreitar os olhos, essa "expressão do olho", como uma expressão facial, também sinaliza o nosso desgosto para os outros. Outra característica importante dos olhos são os anéis limbares: o contorno mais escuro que temos ao redor da íris. Evidências recentes sugerem que esses anéis limbais são mais visíveis em pessoas mais jovens e saudáveis, e que os espectadores sabem disso de alguma maneira. Por isso, algumas mulheres heterossexuais que procuram um caso a curto prazo acham que homens com anéis do limbo mais visíveis seriam mais saudáveis e desejáveis. Todos esses estudos sugerem que há mais do que um pingo de verdade no velho ditado sobre os olhos serem uma janela para a alma. De fato, há algo incrivelmente poderoso em olhar profundamente nos olhos de outra pessoa. Dizem que nossos olhos são a única parte do nosso cérebro que está diretamente exposta ao mundo. Quando você olha outra pessoa nos olhos, pense apenas: é talvez o mais próximo que você chegará de "tocar os cérebros" - ou tocar as almas, se quiser ser mais poético sobre essas coisas. Dada essa intensa intimidade, talvez não seja de admirar que se você diminuir as luzes e prender o olhar de outra pessoa por 10 minutos sem parar, você perceberá que coisas estranhas começam a acontecer, talvez mais estranhas do que você jtá tenha experimentado antes.
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17/02 - Reinventar-se? É possível, e mais de uma vez
Depois de ser jornalista e dona de pousada, a estreia como escritora aos 66 anos “A gente sempre pode se reinventar”, diz Deolinda Saraiva, ou simplesmente Deo, como os amigos a chamam. É o que ela mostra ao publicar seu primeiro livro, um romance que recria o ambiente opressivo do período colonial brasileiro mas cuja história chega aos dias atuais. Em “A casa de 365 janelas”, personagens reais e de ficção se misturam numa envolvente trama folhetinesca. A casa em questão é a sede da Fazenda Amoreiras, que ostenta 365 janelas, uma para cada dia do ano; 52 quartos, um para cada semana; 12 salões, um para cada mês. Tanta opulência esconde o horror da escravidão: 24 das janelas não passam de pinturas feitas com esmero na parede da construção. Na verdade, seu objetivo é dissimular a enorme senzala da propriedade, cujo dono não se dedica apenas à plantação de café, mas também à reprodução de escravos para supri-lo de mão-de-obra e abastecer fazendas vizinhas, já que a Inglaterra proibira o tráfico em 1807. O livro era um projeto acalentado há pelo menos dez anos, mas Deo trilhou uma longa trajetória até conseguir realizar este sonho. Depois de anos como repórter de economia em veículos como Jornal do Commercio, Folha de S.Paulo e revista Veja, foi morar em Conservatória, no Sul Fluminense, em 1997. “Sempre gostei da roça e passava minhas férias de julho na cidade. Quando fiz minha casa já pensava numa pousada”, conta. Pôs em prática seu plano em 2003, com apenas cinco suítes para os hóspedes. O jornalismo ficava para trás e ela abraçava o empreendedorismo. A iniciativa deu tão certo que, em 2010, recebeu o prêmio Sebrae “Mulher Empreendedora do Ano”, pela Região Sudeste, concorrendo com quase 2 mil pequenas empresárias. Deo Saraiva: autora de “A casa de 365 janelas” Divulgação Atualmente, a pousada tem 27 quartos, mas há dois anos Deo achou que era hora de uma nova reinvenção e arrendou o negócio: “ao me enfronhar no mercado de turismo, comecei a colecionar as histórias dos herdeiros das fazendas do ciclo de café. Quando consegui tempo para me dedicar, o livro ficou pronto em seis meses. No começo, o mais difícil foi deixar de lado a formação de jornalista, sempre presa aos fatos, para fazer a escritora aflorar”. Tem um segundo pronto, que fala de mulheres maduras, e planos de escrever a autobiografia, com conselhos para quem quer empreender e, principalmente, tentar novos caminhos. Mãe de duas filhas – uma delas morando em Conservatória – e avó de três netos, Deo afirma que não se arrepende da opção de viver no interior, a começar pelo custo de vida. “Gastava menos da metade do que desembolsava no Rio de Janeiro com a escola das meninas”, lembra. E se a adaptação foi difícil, ela também viveu a experiência da solidariedade do povo do interior: “minha mãe morreu num acidente de trânsito em Conservatória. Fiquei em choque, sem saber o que fazer, mas a casa foi tomada de gente: pessoas que cuidavam de nós, cozinhando, providenciando o enterro, enfim, nos dando acolhida”. Romance é ambientado no período áureo do café, mas vai até os dias atuais Divulgação
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16/02 - Como Sigmund Freud introduziu a cocaína na medicina europeia
Antes da substância ser usada como anestésico, a cirurgia ocular era um procedimento complicado devido aos movimentos de reflexos do olho quando tocados. Sigmund Freud, considerado o pai da psicanálise Time Life Pictures Em 1815, um jovem alemão se tornou a primeira pessoa a extrair a essência do ópio, e a chamou de morphium, em homenagem ao deus grego dos sonhos: Morfeu. Seu nome era Friedrich Sertürner e com seus experimentos ele encontrou a chave para criar grande parte dos medicamentos modernos. O que mais tarde foi chamada de morfina foi amplamente utilizada, especialmente para eliminar a dor, mas também como um substituto para o álcool. Até que os médicos perceberam que era ainda mais viciante do que as substâncias que ela supostamente deveria substituir. Os opioides são ótimos analgésicos, mas têm efeitos colaterasis significativos, desde constipação e vômito até o vício - e em certos casos podem levar à morte. As virtudes da folha sul-americana O sucesso de Sertürner encorajou outros: em 1820, os químicos isolaram outras substâncias de importância médica, como a quinina, a estricnina e a cafeína. Plantas em todo o mundo foram logo examinadas em busca de alcalóides que pudessem competir com os opiáceos. Uma planta na América do Sul continha uma substância com propriedades extraordinárias para eliminar a dor. Mas, como a morfina, veio com um preço muito alto. O alcalóide extraído das folhas de coca já era um conhecido estimulante na América do Sul. O pó branco, conhecido como cocaína, foi adicionado a vinhos promovidos pelo papa católico; a refrescos, para aqueles que desaprovam o álcool, e a gotas e pastilhas analgésicas. Mas foi a reputação da cocaína de combater a fome e a fadiga que levou um curioso médico austríaco a investigar seus efeitos a fundo. Plantação de cocaína Fernando Vergara/AP A droga mágica Sigmund Freud era então neurologista em Viena. Isso foi muito antes de ele desenvolver a psicanálise. Ele se interessou muito pela cocaína. Ele a chamou de droga mágica e a receitou para seus pacientes para toda uma gama de doenças, incluindo o vício da morfina, ironicamente. Além disso, ele enviou amostras de cocaína a vários de seus colegas, incluindo um oftalmologista chamado Karl Koller. Sem sensação Koller estava usando morfina e outras substâncias para tentar aliviar a agonia da cirurgia ocular, mas nada havia funcionado. Quando ele experimentou um pouco de cocaína, percebeu que a ponta da língua estava dormente. Ele se perguntou, então, o que aconteceria se a cocaína fosse posta no olho. Primeiro, ele tentou com um sapo e um cachorro e eles pareciam bem, então ele decidiu dissolver um pouco do pó na água e colocar algumas gotas em seus olhos e os de um colega. Então, eles espetaram seus olhos com um alfinete afiado. Eles descobriram que estavam totalmente adormecidos. Era extraordinário. Enquanto o ópio adormeciam a dor, a cocaína era um anestésico, o que literalmente significa a ausência de sensação. Sem sinais A cocaína impede que os nervos enviem sinais. E isso afeta não só os nervos que detectam a dor, mas todos eles. É por isso que faz com que o olho ou a língua pareçam totalmente adormecidos. A cocaína tornou possível uma cirurgia ocular complicada. Atualmente, ela não é muito usada, mas seus derivados certamente sim: eles formam a base de muitos anestésicos de uso local. Então, se você alguma vez estiver na cadeira do dentista e resistir a alguma operação potencialmente dolorosa, lembre-se com agradecimentos a Sigmund Freud e ao Dr. Koller. Ou Coca Koller, como às vezes era chamado. * Este artigo é baseado em parte na série da BBC "Dor, pus e veneno: a busca de medicamentos modernos"
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16/02 - Marinha prevê inaugurar estação na Antártica em 2020, oito anos após incêndio
Obra é executada por uma empresa chinesa e, segundo a Marinha, se aproxima do final. Incêndio em 2012 destruiu estação, e dois militares morreram. Passados sete anos desde o incêndio que destruiu a Estação Antártica Comandante Ferraz, a Marinha prevê inaugurar a nova estação em março de 2020. Executada pela empresa chinesa Ceiec, a obra se aproxima do final, segundo a Marinha, que prevê concluir as obras civis e a instalação de máquinas e mobiliário até 31 de março, iniciando um período de testes do complexo científico até março de 2020. Após os testes, a estação poderá receber militares e pesquisadores. "A previsão de inauguração é março de 2020, quando os pesquisadores e o Grupo-Base [de militares] deverão ocupar em definitivo as instalações da nova Estação Antártica Comandante Ferraz", informou a Marinha ao G1. Com investimento de US$ 99,6 milhões, o complexo receberá profissionais que atuam no Programa Antártico Brasileiro (Proantar), criado em 1982 para desenvolver pesquisas em áreas como oceanografia, biologia, glaciologia e meteorologia. A nova estação ficará no mesmo local da estrutura antiga, instalada em 1984 na Península Keller, na Ilha Rei George. A primeira base abrigou pesquisadores até fevereiro 2012. Um incêndio onde ficavam os geradores de energia do complexo destruiu quase toda a estrutura e provocou a morte de dois militares. Apesar do incêndio, as pesquisas brasileiras não pararam. Na Ilha Rei George, os trabalhos foram desenvolvidos em uma estação provisória, montada ao lado da base consumida pelo fogo. Os "módulos emergenciais" são usados enquanto os pesquisadores aguardam o final da reconstrução. Obras de reconstrução de base na Antártica Marinha do Brasil/Divulgação A nova estação A nova Estação Antártica Comandante Ferraz terá 4,5 mil m², poderá acomodar até 64 pessoas e terá 17 laboratórios, além de alojamentos e espaços de convivência e de lazer. Construído em um local inóspito, o complexo terá condições de suportar temperaturas negativas, nevascas e ventos de até 200 quilômetros por hora. A estrutura ainda terá sistemas de detecção, alarme e combate a incêndios. Os preparativos para reconstruir a estação tiveram início ainda em 2012, com a retirada dos escombros da antiga base. Após, a Marinha lançou um edital para obra do novo complexo, concluído em 2014 sem propostas. Uma nova licitação foi aberta e, em 2015, foi confirmada a empresa chinesa Ceiec para executar o empreendimento. Como só é possível trabalhar na Ilha Rei George durante o verão antártico (outubro a março), a empresa executou a obra em módulos. A Ceiec preparou os módulos na China, no período de inverno, e transportou e montou as estruturas no verão. Obras civis Segundo a Marinha, a reconstrução segue o cronograma do verão 2018-2019, que prevê a conclusão das obras civis e a instalação do maquinário e mobiliário. A Ceiec, de acordo com a Marinha, concluiu até o momento as seguintes fases da obra: Fundações e montagem da estrutura Montagem dos módulos tipo contêiner Conclusão da estrutura que envolve a estação Atualmente, 268 funcionários contratados pela empresa chinesa trabalham na reconstrução da estação, junto com equipe de engenheiros e fiscais da Marinha e do Ministério do Meio Ambiente. No momento, a Ceiec realiza serviços de acabamento interno do complexo, instalação de equipamentos e móveis. Para março está prevista a inauguração da infraestrutura de telecomunicações. Nos trabalhos neste verão, a empresa utiliza guindastes, caminhões e máquinas para movimentação de materiais, além do Navio Mercante Magnólia, contratado pela própria Ceiec. Os navios Ary Rongel e Almirante Maximiano, ambos da Marinha, dão apoio logístico à estação e aos projetos de pesquisa na região. Obras de reconstrução de base na Antártica Marinha do Brasil/Divulgação Período de testes Concluídas as obras civis e as montagens de equipamentos e móveis, terá início o período de testes da nova estação, chamado de "comissionamento", com previsão de durar de março de 2019 a março de 2020. A Marinha considera que a reconstrução estará finalizada após os testes – durante o inverno antártico a Força mantém um "grupo base" de militares que cuidam dos módulos emergenciais e da nova estação. A Marinha destacou que o comissionamento assegura que os sistemas e equipamentos do complexo foram instalados e funcionam, conforme o projetado. Equipamentos considerados vitais para a estação, como geradores, permanecerão em funcionamento no próximo inverno, entre março e setembro. Os demais equipamentos e sistemas (hidráulicos, elétricos, tratamento de esgoto e automação) ficarão desligados no inverno. Segundo a Marinha, devido às condições meteorológicas deste mês na Ilha Rei George e a importância de realizar os testes e atestar o bom funcionamento da estrutura, optou-se por inaugurar a estação após o comissionamento, em março de 2020. Pesquisas De acordo com a Marinha, desde o incêndio de 2012, cerca de 25 projetos científicos e 250 pesquisadores receberam apoio logístico para desenvolver trabalhos na Antártica. Em março do ano passado, pesquisadores do Proantar enviaram uma carta ao então ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Gilberto Kassab, na qual afirmaram que a parte científica do programa estava ameaçada por falta de recursos. Em agosto, o MCTIC e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) lançaram um edital no valor de R$ 18 milhões para financiar projetos do Proantar. Segundo a pasta, foram selecionados 16 projetos, que receberão o dinheiro ao longo de 48 meses. Vice-presidente do Comitê Científico sobre Pesquisa Antártica (Scar, na sigla em inglês), o professor Jefferson Simões afirmou ao G1 que o repasse de recursos assegurou a continuidade do Proantar pelos próximos três anos. "O edital vai dar um novo impulso para o programa antártico, garantiu a continuidade da parte científica do programa", disse. Pesquisador polar há 30 anos e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Simões acredita que no próximo verão será possível desenvolver pesquisas na nova estação brasileira. Segundo ele, as pesquisas do Proantar são divididas da seguinte forma: 40% no oceano a bordo do navio Almirante Maximiano 25% na estação Comandante Ferraz 20% em acampamentos em diferentes regiões da Antártica 15% no módulo criosfera 1, instalado no continente antártico, a cerca de 2,5 mil quilômetros da estação. Simões também destaca a importância geopolítica de inaugurar o novo complexo científico, uma vez que o Brasil está entre os países com interesse na Antártica. "As estações antárticas têm, de um lado o aspecto científico, mas principalmente o aspecto político. É a casa do Brasil na Antártica, é a demonstração do interesse geopolítico do Brasil na questão Antártica, vai além da pesquisa", explicou.
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15/02 - Era do gelo: cientistas descobrem 'via expressa de gelo' que existiu entre a África e o Brasil milhões de anos atrás
Formações rochosas peculiares encontradas na Namíbia deram a pesquisadores pista para entender enorme fluxo glacial ocorrido na era do gelo - e que pode dar pistas sobre como coberturas glaciais vão responder ao aquecimento do planeta. Formações rochosas na Namíbia deram as pistas para que cientistas concluíssem que por ali passavam blocos de gelo em alta velocidade, em direção ao Brasil Universidade da Virgínia Ocidental Centenas de milhões de anos atrás, quando nosso planeta passava por uma era do gelo e quando os continentes não ocupavam os mesmos espaços geográficos que ocupam hoje, havia uma "via expressa" entre a Namíbia (sudoeste da África) e o Brasil, por onde o gelo passava em alta velocidade. É o que cientistas da Universidade da Virgínia Ocidental (EUA) afirmam ter descoberto, segundo estudo publicado recentemente no periódico PLOS One. A descoberta foi acidental e começou a se desenhar alguns anos atrás, quando os geólogos Graham Andrews e Sarah Brown viajaram à Namíbia, país de paisagens desérticas e dunas, para estudar rochas vulcânicas. Na expedição, eles depararam com uma formação geológica peculiar: em um deserto plano, havia centenas de colinas íngremes e alongadas, que se assemelhavam a dorsos de baleia. É uma típica formação rochosa de lugares que em algum momento foram cobertos por geleiras - algo incomum em paisagens desérticas, o que chamou a atenção dos pesquisadores. De volta à universidade, Andrews e Brown descobriram que essas colinas ainda não haviam sido plenamente estudadas. "(São) rochas de um período quando o sul da Áfica era coberto de gelo", afirma Andrews em comunicado da universidade. "As pessoas obviamente sabiam que aquela parte do mundo esteve coberta de gelo em determinado momento, mas ninguém havia mencionado nada a respeito de como essas 'drumlins' (como são chamadas as colinas) haviam sido formadas ou por que elas estavam ali." A partir da medição das formas e padrões dessas estruturas rochosas, Andrews e seus colegas identificaram grandes sulcos, o que indica que blocos de gelo provavelmente passavam por ali em alta velocidade, deixando as profundas marcas nas rochas. Passagem do gelo é a responsável pelos sulcos nas formações rochosas da Namíbia Universidade da Virgínia Ocidental Do gelo ao aquecimento "Esses sulcos demonstraram a primeira evidência de um fluxo de gelo no sul da África no fim da Era Paleozoica, que ocorreu 300 milhões de anos atrás", diz comunicado da universidade. E esse fluxo terrestre de gelo percorria, segundo a pesquisa, centenas de quilômetros em direção ao bloco continental onde hoje fica o Brasil. Outros estudos prévios apontam que esse período - o fim da era de gelo paleozoica - foi a última era glacial da história da Terra até agora, uma época em que o gelo avançava e retraía e em que os continentes não eram separados como agora, mas sim aglomerados na chamada Pangeia. A África e a América do Sul estavam, nessa época, ligadas uma à outra. Segundo o estudo publicado no PLOS One, as descobertas reforçam uma crença prévia dos cientistas de que sedimentos geológicos encontrados no Brasil, na bacia do Rio Paraná, foram trazidos por enormes fluxos de gelo vindos do sul da África. A expectativa é de que as pesquisas sobre esse fluxo de gelo não deem pistas apenas de como era o planeta há 300 milhões de anos, mas ajudem os cientistas a entender como grandes blocos de gelo modernos se movem e reagem ao processo atual de aquecimento do planeta. "Essas super-rodovias de gelo são, na verdade, a forma como as coberturas de gelo desaparecem", disse Andrews em entrevista ao jornal "The New York Times".
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15/02 - Nova espécie de dinossauro descoberta em Santa Maria é apresentada em revista científica
Fóssil foi encontrado em 2012. Grupo de pesquisadores do Brasil e da Inglaterra estudaram o animal, que pode ser o terópode, linhagem a que pertence também o tiranossauro, mais antigo a viver no país. Nova espécie de dinossauro descoberta em Santa Maria é apresentada em revista científica Uma nova espécie de dinossauro brasileiro, descoberto em Santa Maria, foi apresentado por um grupo de pesquisadores no periódico Journal of Vertebrate Paleontology. O animal é um carnívoro adolescente, que media entre 1 metro e 1,5 metro, e pode ser o terópode, linhagem de dinossauros bípedes a qual pertencem os tiranossauros, mais antigo a viver no Brasil. O animal ganhou o nome de Nhandumirim waldsangae, que vem da combinação de nhandu, ema em Tupi-Guarani, e mirim, pequeno em Tupi-Guarani, em referência ao tamanho e à semelhança do dinossauro com animais como a ema e o avestruz. Estudiosos estimam que ele tenha vivido há 233 milhões de anos, no sítio paleontológico Sanga da Alemoa, onde hoje está localizado o município de Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul. É neste local que foi encontrado um dos dinossauros mais antigos do mundo, o estauricossauro. Os fósseis do dinossauro foram encontrados em 2012 por equipe da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Da pesquisa, participaram especialistas de Ribeirão Preto, Minas Gerais, Pernambuco e Birmingham, do Reino Unido, além de Átila da Rosa, pesquisador de Santa Maria. Por ser um animal juvenil, conforme a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), não é possível ter certeza do tamanho da espécie quando adulta. Dos traços anatômicos, os mais marcantes estão na região do tornozelo, que indicam a relação com outros terópodes, como o Coelophysis, dos Estados Unidos, e o Zupaysaurus, da Argentina. Para os pesquisadores, o Nhandumirim possivelmente é o membro mais antigo dessa linhagem de dinossauros carnívoros que viveu no Brasil. Representação artística do animal descoberto em Santa Maria, anunciado em artigo em um periódico Arte/Jorge Blanco Importância do sítio paleontológico Segundo o professor e pesquisador Átila da Rosa, a descoberta mostra a importância do sítio paleontológico em que o Nhandumirim waldsangae foi encontrado. "É onde aparece muitas espécies, rincossauros, cinodontes, arcossauros, animais répteis que teriam dados origem aos dinos e os próprios dinossauros", diz. Ele destaca que são encontrados no RS linhagens muito antigas, e que indicam que o surgimento desses animais foi mais rápido do que se acreditava até então. "Isso ajuda a entender que o surgimento [das espécies] se deu de forma rápida, em tempos geológicos, cerca de 3 milhões de anos e não em 10, 15 milhões de anos, como se acreditava", diz. Além disso, a descoberta e o destaque da pesquisa em uma revista de prestígio mostra a importância do incentivo a esse tipo de estudo. "Se não tivesse prospecção, continuidade da pesquisa nos sítios, bolsa para os alunos irem a campo e procurar esse material, não teríamos esse resultado", analisa. Falanges do pé do dinossauro, que indicam familiaridade com os terópodes, espécies de dinossauros bípedes Divulgação/UFSM Novas espécies em 2018 No ano passado, pelo menos duas novas espécies encontradas no Rio Grande do Sul foram anunciadas por pesquisadores. Em novembro, o dinossauro de pescoço longo mais antigo do mundo foi descoberto em Agudo, também na Região Central do estado. O animal, que recebeu o nome de Macrocollum itaquii, foi descrito a partir de três esqueletos fossilizados escavados em rochas triássicas, com 225 milhões de anos. Os esqueletos foram coletados no início de 2013 e o estudo foi publicado recentemente na revista acadêmica britânica Biology Letters. E em maio, o fóssil de um réptil que viveu há 230 milhões de anos foi encontrado em Candelária. Desenho esquemático do esqueleto de Macrocollum (ilustração por Rodrigo Temp Müller) Rodrigo Temp Müller/Ilustração
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15/02 - Ondas gravitacionais: Qual a importância de detector de buracos negros que ganhará ‘upgrade’ milionário
Os governos do Reino Unido e dos EUA anunciaram um projeto de 25 milhões de libras para aumentar a sensibilidade de máquina que permitirá ampliar o conhecimento sobre gravidade, buracos negros e estrelas de nêutrons. O laboratório LIGO Louisiana que detectou ondas gravitacionais está à espera de atualização NSF/LIGO Os governos do Reino Unido e dos Estados Unidos investirão 25 milhões de libras (aproximadamente R$ 120 milhões) para dar um 'upgrade' nas máquinas que, em 2015, fizeram a primeira detecção de ondas gravitacionais da história. A atualização dos aparelhos permitirá que eles detectem colisões de buracos negros quase duas vezes mais distantes. Até 2024, eles devem ser capazes de observar em detalhes como nunca antes mais de três eventos cataclísmicos do tipo todos os dias. Os detalhes foram anunciados em reunião da Associação Americana para o Avanço da Ciência, em Washington. Parte da equipe à frente do projeto, a professora Sheila Rowan, da Universidade de Glasgow, disse que esse upgrade ajudará a entender mais sobre gravidade, buracos negros e estrelas de nêutrons. "Temos aprendido bastante com as 10 colisões de buracos negros e de estrelas de nêutrons que já observamos", disse ela à BBC News. "Ainda estamos bem no começo do que [o aparelho] pode nos oferecer em várias áreas da ciência." Máquinas Advanced LIGO disparam lasers através de longos túneis, tentando sentir ondulações no tecido do espaço-tempo NSF/LIGO O que são ondas gravitacionais? Ondas gravitacionais são ondas enviadas através do Universo quando a gravidade em um certo ponto no espaço muda repentinamente, motivada pela colisão de dois buracos negros, por exemplo. O processo é parecido com as ondulações causadas quando uma pedra é arremessada num lago, mas no caso das ondas gravitacionais, o espaço e tudo o que existe nele é o lago. Como aquelas ondulações na água, tudo no caminho das ondas - as estrelas, os planetas, as casas e até as pessoas - fica ligeiramente maior e mais fino e depois menor e mais grosso, à medida que a agitação passa. Mas as distorções são ínfimas - muito menores que a largura de um átomo. Einstein estimou a existência dessas ondas em 1916, mas teria dito que elas eram pequenas demais para serem detectadas. Ele se mostrou certo e errado 100 anos depois, quando uma equipe internacional de pesquisadores as identificou pela primeira vez usando um par de máquinas de 4 km de comprimento, chamado Advanced LIGO. Como o Advanced LIGO funciona? Extremamente bem, dizem os pesquisadores envolvidos. De fato, as máquinas detectaram ondas gravitacionais logo depois de serem ligadas. A equipe do LIGO passou a detectar mais nove colisões de buracos negros e uma colisão de duas estrelas mortas, chamadas de estrelas de nêutrons, nos dois anos seguintes à descoberta inicial. Isso sugere que vivemos em um universo violento, onde tais eventos cataclísmicos são a regra. Os instrumentos em forma de L são essencialmente compostos por duas réguas altamente precisas a 90 graus umas das outras. Cada braço tem um raio laser que reflete em um espelho na outra extremidade. O tempo que leva para voltar é uma medida do comprimento de cada braço. Quando as ondas gravitacionais chegam do espaço, a forma em L é esticada pela primeira vez e, então, tem uma ínfima parte amassada por uma fração de segundo, mas o suficiente para uma mudança a ser detectada. Qual será a atualização? A atualização será chamada de Advanced Ligo Plus, ou simplesmente A+. Grande parte da melhoria será conduzida por uma equipe britânica que tem à frente pesquisadores do Instituto de Pesquisa Gravitacional da Universidade de Glasgow, com a especialização necessária para construir os instrumentos de alta precisão que irão medir as minúsculas distorções criadas pelas ondas gravitacionais. Os pesquisadores vão aumentar a sensibilidade dos aparelhos de quatro maneiras. Primeiro, eles terão espelhos melhores e mais reluzentes; segundo, os espelhos terão o revestimento aprimorado, o que reduz a oscilação de moléculas na superfície; terceiro, o sistema de suspensão no qual os espelhos são pendurados ficará ainda mais estável, e, por fim, a luz - que é conhecida como difusa no nível quântico - está sendo ajustada com a ajuda de uma equipe australiana. A ideia é aumentar sua precisão. O que o A+ vai estudar? Ao serem capazes de detectar mais colisões de buracos negros, os pesquisadores poderão aprender mais sobre eles, especialmente em suas bordas, onde as leis conhecidas da física começam a falhar. Assim como um aumento na quantidade, os cientistas poderão observar colisões com uma resolução muito maior - em altíssima definição, em comparação com o que podem detectar atualmente. Mais difíceis de detectar são as colisões de estrelas de nêutrons. Elas são fascinantes porque todo o gás em combustão que continham se comprimiu em si mesmo para formar um material super denso. Uma colher de chá do material pesa 10 milhões de toneladas. Os físicos querem saber como é esse material. Estima-se que as estrelas de nêutrons produzem ouro, platina e outros metais quando colidem. Até agora, os aparelhos existentes detectaram somente uma. O A+ deve ser capaz de detectar 13 por mês. E, talvez o mais intrigante, o A+ pode ser capaz de resolver um mistério sobre a velocidade em que o Universo está se expandindo. O A + vai medir a expansão observando o comportamento das ondas gravitacionais.
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15/02 - Por que a supergonorreia pode se tornar incurável
Bactéria responsável pela infecção sexualmente transmissível está desenvolvendo resistência aos antibióticos existentes. A maioria das ISTs pode ser prevenida com o uso de camisinha Irineu I Degasperi/ Free Images A gonorreia está mais resistente aos antibióticos e pode se tornar incurável. Considerada a segunda infecção sexualmente transmissível (ISTs*) mais comum no mundo, a doença afeta milhões de pessoas todos os anos. Mas, agora, o tratamento se tornou mais complexo - em alguns casos, até impossível - porque a bactéria responsável está desenvolvendo resistência aos antibióticos existentes. "Se não tivermos mais apoio, se não encontrarmos o tratamento correto para a gonorreia, vai chegar um momento em que a doença vai se tornar incurável", alerta Teodora Wi, especialista da Organização Mundial da Saúde (OMS). É com base nestes dados que a jornalista Kay Devlin, do programa da BBC Newsnight, explora os desafios envolvidos em impedir a propagação da supergonorreia e revela algumas formas surpreendentes de contaminação. Desde a descoberta da penicilina, a gonorreia se tornou resistente a seis tipos diferentes de antibióticos. No último ano, foram reportados três casos de supergonorreia no Reino Unido e dois na Austrália. Foram os piores casos já registrados no mundo. O primeiro envolveu um britânico que pegou gonorreia na garganta após fazer sexo com uma mulher que conheceu por meio de um aplicativo de relacionamento na Tailândia. Ao aplicar o tratamento tradicional contra a doença - uma combinação de azitromicina e ceftriaxona - os especialistas constataram que o organismo não respondia aos antibióticos. E apesar das tentativas de identificar e tratar a mulher que transmitiu a infecção - para impedir a propagação da doença -, ela nunca foi encontrada. "Com aplicativos com Grindr e Tinder, é incrivelmente fácil fazer sexo com desconhecidos. Isso significa que não há muitas informações sobre o parceiro e por mais que você tente convencer o paciente a tentar entrar em contato com ele, ainda assim às vezes é quase impossível conseguir fazer isso", explica a médica Tas Rashid, especialista em saúde sexual. Segundo ela, esse é um dos desafios para impedir a propagação da doença. "Nós vivemos em um mundo cada vez mais globalizado. O sexo é muito mais acessível do que antes. O acesso a múltiplos parceiros sexuais é muito mais fácil", avalia Rashid. "Não podemos impedir as pessoas de viajarem para outros países, fazer sexo desprotegido e 'importar' infecções. Não conseguimos impedir isso", completa. Estão em andamento, no entanto, experimentos clínicos para tentar desenvolver novos tratamentos para a supergonorreia, de acordo com a Parceria Global de Pesquisa e Desenvolvimento de Antibióticos (GARDP). A gonorreia é causada pela bacteria Neisseria CNRI/SCIENCE PHOTO LIBRARY O que é gonorreia? A doença é causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae. A infecção é transmitida por meio de relação sexual sem uso de preservativo - seja vaginal, anal ou oral. "Quando falamos sobre sexo, acho que a maioria das pessoas pensa em sexo vaginal ou anal, mas o sexo oral é tão importante quanto porque doenças como clamídia, gonorreia e sífilis são transmitidas oralmente também", ressalta Rashid. Além disso, é importante lembrar que a gonorreia também pode passar para os olhos por meio das mãos ou outra parte do corpo que contenha fluídos corporais infectados. "O que esquecemos de dizer as pessoas é que a gonorreia também pode se manifestar nos olhos apenas pelo contato de dedos infectados", completa. Os sintomas incluem secreção purulenta esverdeada ou amarelada encorpada, dor ao urinar e sangramento no intervalo de cada menstruação. No caso das mulheres, principalmente, a doença pode ser silenciosa e não apresentar sintomas. Quando não tratada, a gonorreia pode levar à infertilidade, à transmissão para o feto durante a gravidez e a doença inflamatória pélvica. Gonorreia no Brasil Segundo o Ministério da Saúde, não há registro de gonorreia super-resistente no Brasil. Apesar de não ser uma doença de notificação obrigatória, estima-se que surjam 500 mil casos novos de gonorreia por ano - com prevalência de aproximadamente 1,4% na população de 15 a 49 anos. Ainda de acordo com o governo, recomenda-se a busca pelo serviço público de saúde no caso de sintomas. Se confirmada a doença, o tratamento oferecido é gratuito e deve se estender também aos parceiros sexuais. * Seguindo a recomendação da Organização Mundial da Saúde, também acatada pelo Ministério da Saúde, usamos a terminologia IST no lugar de DST (doenças sexualmente transmissíveis), já que pacientes podem carregar infecções sem necessariamente apresentar sintomas de doenças.
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15/02 - 'Agora sei por que não menstruo': jovem conta como se descobriu (e se aceitou) intersexual
Suz Temko venceu um câncer na adolescência, mas não sabia que isso seria mais fácil do que entender e aceitar sua intersexualidade. Após descobrir sua intersexualidade, Suz Temko achou que precisava ser mais feminina e se encaixar em certos padrões de beleza Suz Temko Suz Temko descobriu que era intersexual no dia da sua festa de formatura na escola e passou os 10 anos seguintes lutando com sua própria autoestima e identidade. Intersexual é o termo usado para descrever pessoas que nascem com características sexuais biológicas que não se encaixam nas categorias típicas do sexo feminino ou masculino. Suz Temko decidiu contar sua história para dar visibilidade a pessoas como ela - que ela diz não serem raras, mas simplesmente invisíveis: Quando eu tinha 15 anos, fui a uma festa. E levei um tombo um pouco constrangedor. Foi quando descobri que eu tinha uma protuberância estranha no abdômen que não tinha visto antes. Esse inchaço acabou se revelando um tumor maligno. Estava com câncer em estágio 4 que, de acordo com o primeiro diagnóstico, era de ovários. Receber esse tipo de notícia aos 15 anos é muito marcante. Quando recebi alta do hospital, perguntaram se eu queria saber por que tive câncer. Entrei naquela reunião animada para entender o que havia acontecido comigo, mas o médico era tão técnico que não entendi uma única frase do que ele estava dizendo. Exceto uma que ficou na minha memória: "Você tem cromossomos XY, tipicamente masculinos. Em outras palavras, você é fisicamente mulher, mas geneticamente um homem." Portanto, o câncer que eu tive não era realmente um câncer de ovário, porque eu simplesmente não tinha ovários. Os médicos sabiam disso, mas estavam esperando o momento certo para me contar. Eu sou intersexual, isto é, uma pessoa que nasceu com uma variação nas características sexuais que identificam cada sexo. As diferenças podem ser encontradas nos genitais, cromossomos, gônadas ou hormônios, que não coincidem com o entendimento binário padrão dos corpos - nem masculino, tampouco feminino. É muito raro que essas alterações genéticas causem o desenvolvimento de câncer. Acontece com apenas 1% das pessoas intersexuais, segundo as estatísticas. Mas aconteceu comigo. Eu tinha acabado de colocar os pés para fora do hospital quando tudo começou a fazer sentido. Por fim, descobri por que nunca havia menstruado. Comecei a entrar em pânico. Senti um vazio enorme no peito. Era o dia do meu baile de formatura, mas decidi não ir porque não estava no clima. Guardar segredo Na minha busca por respostas, encontrei várias cartilhas e artigos sobre câncer, mas nada sobre o que fazer se você for intersexual. Sentia que eu estava em um buraco negro. A recomendação geral dos médicos e da minha família era "manter em segredo, não contar às pessoas". Nos dois anos seguintes eu fui muito feliz. Estava emocionada por estar viva. Me tornei porta-voz do Teenage Cancer Trust (associação britânica dedicada a adolescentes com câncer) e isso me ajudou muito a saber como lidar positivamente com a doença. Mas havia algo que eu estava deixando de lado: minha intersexualidade. Tudo mudou quando eu tinha 18 anos e peguei malária em uma viagem à Tanzânia. Por causa da cobertura do meu seguro, tive que falar com um médico no Reino Unido. Antes desse episódio, achava que todos os médicos eram maravilhosos, infalíveis. Pensava que eram pessoas que diziam a verdade e faziam as pessoas se sentirem bem. Esse conceito idealizado fez com que eu me sentisse muito mal depois do que viria a acontecer. O médico me pediu um histórico médico completo e quando expliquei que meus cromossomos eram do tipo XY, ele me disse: "Você me passou o histórico médico errado, se você tem cromossomos XY, você é homem". Eu tentei explicar, mas ele não quis ouvir: "Não sei o que te disseram, mas você é um menino", afirmou. Eu estava muito doente, em uma posição vulnerável e apesar de estar chorando, ele continuou: "Como você se parece? Como são seus peitos?" Foi um pesadelo. Parecia que ele não ia me deixar terminar a ligação até admitir que era homem. A partir de 18 anos, Suz Temko começou a ter problemas de autoestima e identidade, assim como pensamentos suicidas (imagem ilustrativa) Pixabay Pensamentos suicidas Foi a partir dessa conversa que comecei a esmorecer. A voz dele era como um alto-falante para alguns dos meus pensamentos mais sombrios: que eu era uma pessoa estranha, um fenômeno desagradável. Como ele era um médico, suas palavras ganharam muito mais relevância. E cada vez mais médicos me fizeram sentir que eu não era uma pessoa normal. "Toma esses hormônios, eles vão fazer você parecer uma menina... Você tem três dos cinco critérios para ser considerada mulher. Ainda bem que você é bonita." Se ia ao médico por causa de um resfriado, eles inventavam qualquer desculpa para poder examinar "lá embaixo". Entrei em depressão severa. Cheguei a ter pensamentos suicidas. Comecei a sentir que não estava bem do jeito que eu era. Achei que precisava ficar super magra e tentei até fazer uma voz mais fina. Fiz questão de ter cabelo loiro e comprido e segui uma dieta rígida para emagrecer. Achava que deveria ser uma modelo da Victoria's Secret com doutorado. Naquela época, eu tinha um namorado encantador, mas não me atrevi a contar a verdade a ele com medo que terminasse comigo. Aceitação A situação começou a mudar no meu terceiro ano na faculdade, quando meu namorado foi para o exterior e passei a dividir apartamento com amigas queridas. Elas eram pessoas incríveis. Contei a elas que eu era intersexual e elas deixaram bem claro que eu não tinha nada do que me envergonhar. Pelo contrário, foi motivo de comemoração. Meu namoro acabou no fim daquele ano por causa da distância. Mas não foi o fim do mundo. Comecei a fazer mestrado e a trabalhar com política. Também estreei um blog sobre câncer, mortalidade e aceitação do próprio corpo. E um dia pensei: "Isso está errado. Sou hipócrita. Não estou sendo honesta. Estou dizendo às pessoas para aceitar o corpo delas quando não aceito o meu próprio". Então, escrevi um post no Facebook em que, basicamente, contei a todo mundo sobre minha intersexualidade. O que veio a seguir foi incrível. As pessoas responderam imediatamente dizendo coisas como: "Nós amamos você". Contei ao meu ex-namorado e só recebi amor e compreensão da parte dele. Agora ele virou um amigo muito próximo. As redes sociais me ajudaram a encontrar uma comunidade de pessoas que passaram pelas mesmas dificuldades. E poder encontrar com elas pessoalmente foi um alívio enorme. Aprenda com as batalhas dos outros E embora seja bom ouvir histórias positivas, você também aprende muito com as batalhas que cada um teve que travar - foi importante saber que não estava sozinha. Cheguei a me sentir muito culpada por ter cogitado suicídio algum dia. Como poderia ousar pensar em algo assim se tinha sobrevivido a um câncer? Mas ouvir que outras pessoas passaram pela mesma situação me ajudou. E não foi só isso. Também fortaleceu minha determinação em lutar por direitos e para dar mais visibilidade a pessoas intersexuais. Ser intersexual não é difícil. O difícil é ver como a sociedade te trata. Todas as batalhas psicológicas que travei foram realmente por causa de como a sociedade reage a pessoas como eu. A identidade de uma pessoa não é algo simples. Não sou apenas intersexual. Tampouco só uma sobrevivente de câncer. Nenhum de nós é uma coisa só. Houve um tempo em que eu implorava para "ser normal". Agora eu não mudaria nada no meu corpo, ele me deu muito mais do que tirou. Hoje em dia não escondo dos meus amigos, no trabalho e em meus relacionamentos íntimos. E compartilho minha história porque quero acabar com o estigma (em relação a pessoas intersexuais) e trabalhar por um futuro em que conheçamos, celebremos e protejamos pessoas intersexuais como eu. Ser intersexual não é raro. Entre 1,7% e 2% das pessoas no mundo são intersexuais. É uma questão estatística. Não somos unicórnios, somos simplesmente invisíveis.
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15/02 - Imagem feita por astronautas mostra Brumadinho após o rompimento de barragem
Nasa divulgou foto tirada da Estação Espacial Internacional no dia 2 de fevereiro. A Nasa divulgou imagens feitas por astronautas da Estação Espacial Internacional de Brumadinho após o rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão. Na foto, feita no dia 2 de fevereiro, é possível ver o rastro de lama. A barragem rompeu no dia 25 de janeiro e até o dia 15 de fevereiro 166 mortes estavam confirmadas e 147 pessoas estavam desaparecidas. As buscas continuam na área atingida pela lama. Brumadinho antes e depois: veja imagens do rompimento de barragem da Vale Segundo a Nasa, as imagens fornecem contexto regional e podem ser úteis para uma melhor visualização do que aconteceu: "Imagens de maior resolução espacial podem ser adequadas para análise espacial para apoiar a tomada de decisão ou aplicações de pesquisa subsequentes". No dia do rompimento, a Nasa- através do seu programa de Desastres- já havia divulgado um antes e depois do local com imagens de satélites. Imagem de Brumadinho após o rompimento da barragem feita por astronautas da Estação Espacial Internacional Nasa Oito funcionários da Vale foram presos em investigação sobre o rompimento da barragem de Brumadinho, na Grande Belo Horizonte. A operação ocorre em Minas Gerais, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Segundo o Ministério Público, a ação visa "apurar responsabilidade criminal pelo rompimento de barragens existentes na Mina Córrego do Feijão, mantida pela empresa Vale, na cidade de Brumadinho". Initial plugin text
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15/02 - A incrível jornada de uma pedra terrestre!
Rocha 14321 Nasa Pergunta: o que os astronautas que andaram na Lua trouxeram de lá, além de muitas fotos e poeira lunar? A resposta vai surpreender você! As missões Apollo 11 a 17 (pulando a 13) levaram astronautas que caminharam sobre a Lua. No caso da Apollo 11, a primeira, as caminhadas duravam poucas horas, mas nas últimas missões, os astronautas chegaram a passar alguns dias na sua superfície, com direito a jipe lunar! Dentre as atividades dos astronautas estava a de coletar amostras de rochas e regolito lunar. O regolito é uma camada de poeira composta por rocha triturada ao longo de milhões de anos. Mas é uma poeira tão fina quanto talco que deixava os astronautas loucos de raiva por se impregnar em qualquer superfície pela ação eletrostática. De início, as rochas eram coletadas a esmo, ou seja, os astronautas saíam andando para executar suas tarefas e iam recolhendo amostras daquilo que eles achavam interessante. Com o passar das missões, e a enxurrada de críticas que diziam que a NASA não estava fazendo uma missão científica, mas sim só catando pedras, os astronautas passaram a ter treinamento de geologia e começaram a recolher amostras com mais critério. Dentre os mais de 300 kg de rochas lunares que ganharam uma viagem para a Terra, uma em especial estava voltando para casa. Isso mesmo, dentre todo esse monte de rochas lunares, uma delas tem todas as características de ser uma rocha terrestre! E pode isso? Como uma rocha terrestre foi encontrada na Lua? No início da formação do Sistema Solar e dos seus planetas, havia muitos asteroides e cometas no espaço, todos formados a partir do disco protoplanetário. Com tanta rocha cruzando o espaço, não eram raras as colisões entre os corpos ainda em formação. Tanto que o período entre 4,1 e 3,8 bilhões de anos atrás foi batizado de ‘o grande bombardeio’, tamanha a frequência e violência dessas colisões. As marcas dessa época ainda podem ser vistas na Lua, que não tem erosão. Já desde muito tempo imagina-se que as colisões dessa época lançaram material no espaço e que eventualmente ele foi capturado por outro corpo celeste. Por exemplo, não raro podemos encontrar meteoritos marcianos na Terra, ou mesmo meteoritos de origem lunar. Tudo fruto de uma grande colisão que lançou pedaços de rochas no espaço. Como a gravidade nesses dois corpos é bem baixa, não é tão difícil que muitas pedras tenham escapado, para depois de muitos milhões de anos virem a ser atraídas por outro corpo do Sistema Solar com gravidade maior. Imagem microscópica da rocha 14321 Nasa Se colisões assim podem trazer pedras marcianas e lunares para a Terra, poderia também ocorrer o inverso? Sim, certamente que sim! A questão é que, como a gravidade terrestre é maior, fica mais difícil fazer com que pedaços da crosta terrestre alcancem o espaço, seria necessária uma colisão muito intensa. Isso, na época do grande bombardeio devia acontecer com bastante frequência e é muito provável que essas rochas tenham se espalhado pelo Sistema Solar, sendo capturadas muito tempo depois pela Lua e, porque não, Marte também. O caso é que uma rocha mais ou menos do tamanho de uma bola de basquete e com 10 kg aproximadamente trazida pela missão Apollo 14 se mostra muito parecida com rochas formadas na Terra. A rocha foi coletada por Alan Shepard e recebeu o número de registro 14321 e, se for mesmo da Terra, será a rocha terrestre mais antiga já encontrada! Irônico não? As amostras das missões Apollo são constantemente ‘revisitadas’, ou seja, reestudadas com equipamentos mais modernos. Isso permitiu uma série de descobertas que eram impossíveis na década de 1970, quando aconteceu a maior parte das missões. Em um desses novos estudos, Jeremy Bellucci, do Museu Sueco de História Natural, chegou à conclusão que os minerais presentes na rocha eram parecidos demais com os minerais encontrados na crosta terrestre, tanto na quantidade, quanto na proporção entre eles. Com isso, ele sugeriu em um estudo publicado no final de janeiro último que a rocha deve ter se formado na Terra há 4,11 bilhões de anos e foi capturada pela gravidade da Lua após um asteroide se colidir com a Terra. Uma explicação alternativa é que a rocha poderia ter se originado na própria Lua, na época em que havia magma por debaixo da sua superfície. Todavia, para a rocha possuir os minerais conforme foram medidos, teria que haver muita água presente no magma. Não só isso parece improvável no caso da Lua, como também nenhuma outra rocha, até agora, mostrou essa propriedade. Esse ano, o pouso da Apollo 11 e a conquista da Lua por Neil Armstrong e Edwin Aldrin completa 50 anos. E, mesmo depois de meio século, a missão Apollo continua a render resultados incríveis!
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15/02 - Distúrbios na visão, o sintoma muitas vezes ignorado da enxaqueca
Sintoma mais comum de doença que afeta 15% da população é a dor de cabeça, mas o que muitos não sabem é que ela pode se manifestar por meio de pontos luminosos ou piscantes, percepção de luz em ziguezague e visão embaçada. Enxaqueca com aura não tem nada a ver com a visão, mas está ligada ao cérebro Hermes Rivera/ Unsplash Estima-se que uma em cada sete pessoas do planeta sofra de enxaqueca. No Brasil, a doença, considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a sexta mais incapacitante do mundo, afeta cerca de 15% da população, mais ou menos 31 milhões de indivíduos, com incidência maior entre as mulheres (25%). Apesar de muita gente não saber, a enfermidade pode ter sintomas que vão além de dor de cabeça. São os distúrbios visuais, que se manifestam através de pontos luminosos ou piscantes e que ficam parados ou se movem, percepção de luz em ziguezague e visão embaçada, entre outras maneiras. Eles fazem parte de um tipo menos comum da patologia, a enxaqueca com aura. Vale destacar que existem ainda outras formas de auras, as sensoriais e motoras - elas causam, por exemplo, formigamento ou dormência em uma ou mais partes do corpo, dificuldade em falar e ouvir e confusão mental. "A maioria das pessoas têm a enxaqueca clássica, apenas de 15% a 20% apresentam a com aura, e a visual atinge 90% delas", comenta Fabio Porto, neurologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). É o caso da bancária Geórgia Namer, de 41 anos. "Acho que tenho enxaqueca desde que nasci. Minha mãe também tem, e nas primeiras vezes em que falei para ela que estava com dor cabeça e 'vendo coisas brilhando', quando ainda era bem pequena, ela achou que eu a estava imitando, mas infelizmente era verdade. Sofro com essa doença a vida toda." Moradora da Bahia e mãe de dois meninos, um de 18 anos e outro de três, ela conta que a manifestação da sua aura se dá por meio de vista embaçada e, na sequência, pequenos pontos brilhantes, que vão crescendo até tomar conta de metade do olho. "Na infância isso acontecia duas ou três vezes por mês, e os professores até me liberavam da aula, pois sabiam que eu ficava bem mal. Na adolescência e no início da fase adulta passou para duas vezes por semana", relata. Na busca por se livrar do problema ou ao menos diminuir o número de crises, Geórgia procurou diversos médicos e fez uma série de tratamentos, inclusive os preventivos, mas sem muito sucesso. "Tomei tudo quanto é tipo de remédio, antihipertensivos, antidepressivos, anticonvulsivante, analgésicos... Eles adiantavam por alguns meses, mas depois voltava tudo, e nem adiantava aumentar a dosagem. Só fiquei livre da enxaqueca durante as minhas duas gravidezes, acho que por causa dos hormônios", diz. Após o nascimento do segundo filho, sua situação piorou, já que as dores de cabeça se tornaram diárias, e as idas ao hospital mais frequentes. "Eu já acordava mal, e passava o dia à base de medicamentos para poder trabalhar. Nessa época também comecei a sentir tontura e suava frio. Cheguei num ponto em que não aguentava mais, estava desesperada", recorda. Após muitas pesquisas, a bancária conheceu os livros do médico Alexandre Feldman, especialista no assunto, e o programa aplicado por Daniela Miguel, coach de enxaqueca. "Comecei a seguir os que eles recomendavam. Mudei, por exemplo, meus hábitos alimentares. Parei de tomar café e cortei o açúcar. Com isso, a intensidade da dor diminui e as crises caíram para oito por mês, mais ou menos, e só uma é com aura. Ainda não tenho a vida que desejo, mas estou no caminho certo. Agora tenho esperança", completa. Quem também sofre com esse problema é a aposentada Nilceya Silveira de Carvalho, de 65 anos. "Minha primeira crise já foi com aura, por volta dos 40 anos, e desde então é sempre igual. Vejo um pequeno raio, e ele se expande até eu não enxergar mais nada. Depois de alguns minutos é que vem a dor de cabeça, e bem forte." Apesar de ter perdido as contas de quantos médicos procurou e de quantos tratamentos já tentou, ela diz que até hoje não sabe o que causa a enxaqueca e também nunca foi informada sobre a aura. "Descobri o que era assistindo televisão." Nestes 15 anos convivendo com a doença, Nilceya tem épocas de melhora e piora. Atualmente, diz que os episódios diminuíram bastante. "Fico dois, três meses sem nada, aí volta e tenho três ou quatro na mesma semana. O que não posso é ficar sem remédio. Levo para todo lugar que vou, porque nunca sei o que vai acontecer." Enxaqueca com aura visual Também chamada de oftalmológica ou ocular, a enxaqueca com aura não tem nada a ver com a visão. Na verdade, assim como a clássica, ela está totalmente relacionada com o cérebro. De acordo com Danilo Andriatti Paulo, especialista em neuro-oftalmologia do H. Olhos - Hospital de Olhos - , é comum os pacientes com enxaqueca procurarem primeiro um oftalmologista por conta dos sinais visuais gerados pela enfermidade. "Até existem algumas doenças com sintomas parecidos, como descolamento de retina, então temos de descartar todas as possibilidades antes de encaminhar o paciente para o neurologista", analisa. Mas o que é exatamente a enxaqueca com aura? Como explica Fabio Porto, da FMUSP, a enxaqueca em si é uma doença crônica, cuja principal características é dor de cabeça forte, normalmente pulsátil. Suas causas ainda não totalmente conhecidas, mas sabe-se que ocorre um desequilíbrio bioquímico no cérebro, associado a predisposição genética e fatores ambientais e comportamentais. Já a aura é um fenômeno neurológico que ocorre antes - é o mais comum, daí ser conhecida como "premonição" -, durante ou até depois do aparecimento da dor. "O que acontece, neste caso, é uma alteração elétrica no cérebro, correlacionada com a depressão alastrante de leão (onda de intensa atividade nervosa celular que se espalha pela camada externa do cérebro, o córtex). E ninguém sabe ainda porque algumas pessoas têm e outras não", informa o médico. Os distúrbios da visão, além das formas como citamos no início desta reportagem, pode causar ponto cego (escotoma), perda temporária da capacidade de enxergar e falta de foco. E isso pode ocorrer em um ou nos dois olhos, muitas vezes até com eles fechados. Prevenção e tratamento Para evitar a enxaqueca com aura as recomendações são as mesmas da enxaqueca clássica: descobrir os fatores desencadeantes, dormir bem - nem de mais e nem de menos -, evitar o estresse, ter uma alimentação saudável e equilibrada, não ficar muitas horas em jejum, praticar atividade física regularmente e se manter hidratado. É preciso salientar que diversos estudos mostram que este tipo de enxaqueca é um fator de risco para o acidente cerebral vascular (AVC). Por isso, segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia, é imprescindível que seus portadores parem de fumar e, as mulheres, suspendam o uso de anticoncepcionais hormonais combinados, que contenham estrógeno e progestágeno - eles reduzem as proteínas no sangue que protegem do derrame. No mais, é fundamental buscar a ajuda de um especialista, a fim de que ele determine o melhor tratamento para o problema e indique os medicamentos necessários.
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14/02 - Brasil confirma 2º caso de febre do Nilo Ocidental da história
O primeiro registro ocorreu em 2014. O Ministério da Saúde confirmou o segundo caso neste ano, mas notificação foi feita em 2017. Pernilongo Culex é transmissor da febre do Nilo Ocidental Wikimedia Commons O Brasil confirmou o segundo caso de febre do Nilo Ocidental de sua história, segundo informou o Ministério da Saúde nesta quinta-feira (14). O caso foi notificado em 2017, mas os laudos conclusivos foram obtidos em janeiro deste ano. A febre do Nilo Ocidental é uma infecção viral causada pela transmissão do mosquito Culex (mosquito comum). É uma arbovirose, assim como a dengue, a zika e a chikungunya. De acordo com o ministério, não existe tratamento disponível para os casos leves e moderados – o paciente fica em repouso e com reposição de líquidos. Na versão grave da doença, há necessidade de acompanhamento de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Sintomas Cerca de 20 % dos indivíduos desenvolvem os sintomas da febre do Nilo: febre aguda de início abrupto, frequentemente acompanhada de mal-estar; anorexia; náusea; vômito; dor nos olhos; dor de cabeça; dor muscular; exantema máculo-papular (manchas vermelhas na pele) e linfoadenopatia (nódulo geralmente atrás da orelha). O primeiro caso foi registrado no país em 2014, na cidade de Aroeiras de Itaim, no Piauí. Na época, em entrevista ao G1, o agricultor Francisco Raimundo de Lima contou que perdeu o movimento das pernas. O segundo registro da história também é do Piauí, no município de Picos. O paciente teve "manifestações neurológicas". A notificação ocorreu em 2017, mas a confirmação por laudo foi feita em janeiro deste ano. Segundo o ministério, "o achado revela a recorrência da circulação do vírus na região e reforça a importância das ações de vigilância e investigação" da doença. Em 2018, a doença atingiu 1.505 pessoas e causou 115 mortes na Europa. Somente na Itália, foram 35 mortes devido à infecção. O Ministério da Saúde disse que o novo caso confirmado no Brasil não está relacionado com esses registros internacionais, já que a notificação ocorreu no ano anterior ao surto nos países europeus.
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14/02 - Obesidade: nossos animais de estimação podem ajudar a solucionar o problema?
A obesidade atinge entre 22% e 44% dos animais de estimação, e esses índices parecem estar aumentando; estudos veem relação não apenas com a comida, mas também com a flora intestinal. Borris tinha o dobro do peso recomendado, 28 Kg, quando entrou numa competição que ajuda animais de estimação a perderem peso; emagreceu 7 kg e foi campeão PDSA Até o ano passado, Borris nunca recusaria uma costeleta de porco. Ele gostava de sorvete durante o verão e adorava um assado de domingo no inverno – incluindo carne com pudim de Yorkshire, carne de porco, purê de batatas e uma seleção de legumes. Borris é um cavalier king charles spaniel de cinco anos de idade. No momento em que sua proprietária, Annemarie Formoy, entrou na competição PDSA Pet Fit Club, que ajuda cães e gatos obesos a perder peso, ele tinha 28kg – quase o dobro do peso recomendado. Foram necessárias duas pessoas para retirá-lo do carro – ele tinha artrite em uma perna e sua respiração era difícil. Graças a uma dieta e exercícios durante seis meses, ele agora está 7 kg mais leve e acaba de ser coroado vencedor da competição ao lado de Sadie, um labrador. Borris não estava sozinho. A obesidade atinge entre 22% e 44% dos animais de estimação, e esses índices parecem estar aumentando. Engordando mesmo comendo bem Os donos de cães com excesso de peso alimentam-nos com mais petiscos e restos de comida, tendem a tê-los por perto enquanto preparam suas próprias refeições e são menos propensos a passear com eles diariamente. Já os donos de gatos obesos tendem a usar a comida como recompensa e brincam menos com eles. Se um dono de cachorro é obeso, aumentam as chances de que seu animal de estimação também seja (isso não se aplica a gatos). Mas a obesidade também parece estar ocorrendo mesmo em alguns animais domésticos e selvagens que não estão sendo superalimentados ou fazendo pouco exercício. Se essas descobertas forem verdadeiras, algo mais deve estar impulsionando a obesidade nesses animais – e descobrir esses fatores pode ajudar a combater a epidemia humana da doença. Mais de 1,9 bilhão de adultos no mundo estão acima do peso. Destes, mais de 650 milhões são obesos – cerca de 13% da população humana adulta. A prevalência mundial da obesidade quase triplicou desde 1975. E a obesidade infantil também aumentou assustadoramente - estima-se que 41 milhões de crianças com menos de cinco anos de idade estão com sobrepeso ou são obesas. A primeira pista para tentar entender esse fenômeno nos animais está na pata do labrador, uma raça propensa à obesidade. "Quando se trata de cães com excesso de peso, os labradores aparecem em primeiro lugar", diz Eleanor Raffan, veterinária e geneticista da Universidade de Cambridge. Ela e outros pesquisadores descobriram que uma mutação genética presente em cerca de um quarto dos labradores estava associada à obesidade. Para cada cópia da mutação - que ocorreu em um gene chamado POMC -, um cão era cerca de 2 kg mais pesado. A maioria dos animais estudados tinha uma cópia da mutação, mas poucos tinham duas. "São cachorros que ficam sempre na cozinha quando os donos preparam comida, que ficam procurando por um petisco mesmo que não tenham chance de ganhar um ou que ficam devorando coisas nojentas na rua quando saem para passear", diz Raffan. "Mas eles não estão fazendo isso porque é divertido. Eles estão fazendo isso porque estão com fome." Isso ocorre porque as mutações do POMC interrompem o fluxo de um hormônio que regula a ingestão de alimentos e o gasto de energia, influenciando, em última instância, o peso corporal. Como resultado, o comportamento desses labradores se torna muito motivado pela comida. Há uma lição aqui para os humanos, diz Raffan. "O impulso de comer é como uma grande movimentação fisiológica e pensamento dominante, como a sensação de estar com sede." Fator genético Os genes desempenham um papel na obesidade humana (a média de hereditariedade está entre 40% e 75%), mas a obesidade causada por um único gene é rara. A deficiência de POMC, associada à obesidade grave na infância, foi relatada em menos de 50 pessoas em todo o mundo, embora haja provavelmente milhares de casos não diagnosticados. Mas, principalmente, a obesidade humana reflete múltiplas variantes genéticas de risco (cada uma com efeitos pequenos) interagindo de forma complexa com fatores ambientais. A boa notícia é que os animais podem nos ajudar a tentar desvendar esses fatores ambientais também. Animais de abate criados em fazenda são tradicionalmente engordados com antibióticos que transformam seu intestino para que eles precisem de menos comida para ganhar peso. Novas regulamentações reduziram em muito o uso de antibióticos em animais destinados à alimentação no Reino Unido - e a União Europeia baniu os antibióticos com essa finalidade de engorda. Mas se os antibióticos engordam os animais, eles poderiam estar fazendo o mesmo com os seres humanos? A resposta para essa pergunta está em seu intestino. O microbioma intestinal conta com genomas de vastas colônias de microrganismos - bactérias, fungos, protozoários, vírus - que vivem em seu sistema digestivo. Essa comunidade influencia seu peso. Em testes de laboratório, camundongos sem germes que recebem micróbios intestinais de um gêmeo obeso ganham mais peso e gordura corporal do que os ratos que recebem micróbios do gêmeo magro. Um desequilíbrio no microbioma possivelmente leva não apenas à obesidade, mas à síndrome do intestino irritável, doença celíaca e diabetes tipo 2. Antibióticos Então, o que causa esse tipo de desequilíbrio? Existe um elemento genético. Mas em estudos com animais, adoçantes de alta intensidade e aditivos alimentares, como os emulsificantes usados em muitos alimentos processados, têm sido associados à menor diversidade bacteriana do intestino. Em humanos, bebês que receberam antibióticos nos primeiros seis meses de vida tiveram um risco aumentado de ter excesso de peso na infância, de acordo com um estudo. O uso, durante seis semanas, de antibióticos para uma infecção cardíaca também foi associado ao ganho de peso significativo. Mas antes de jogar fora seus antibióticos que salvam vidas, lembre-se de que esses estudos mostram apenas uma associação, em vez de causa e consequência claras. Certos antibióticos podem até mesmo ajudar a desviar o equilíbrio da flora intestinal dos padrões associados à obesidade. Sabendo disso, poderíamos de alguma forma modificar nosso microbioma para combater a obesidade? Há pesquisas em andamento para fazer exatamente isso, testando uso de probióticos e transplantes fecais. Animais selvagens A obesidade não afeta apenas animais domésticos. Os animais selvagens engordam também, mas isso geralmente está associado à disponibilidade de alimentos nas diferentes estações do ano: eles aprenderam a comer quando a comida é abundante. Mas os pesquisadores viram um ganho inesperado de peso em marmotas de barriga amarela nas Montanhas Rochosas do Colorado, nos EUA, entre 1976 e 2008. As marmotas estão acordando cerca de um mês antes de sua hibernação de oito meses, provavelmente porque a mudança climática alterou o tempo entre a primeira neve derretida e a primeira geada. Estes dias extras significam mais tempo de alimentação e engorda. No curto prazo, um ganho extra de 0,3 kg poderia melhorar as chances de sobrevivência durante a hibernação e o sucesso reprodutivo depois. Infelizmente, as marmotas acabarão pagando um preço alto, já que as mudanças climáticas aumentam a frequência das secas de verão. Outros fatores ambientais que afetam a obesidade em animais - e talvez em humanos - incluem a privação de sono e a poluição luminosa. Camundongos expostos a luz constante têm maiores índices de massa corporal (IMC) e níveis de glicose do que aqueles expostos a ciclos normais de luz e escuridão. Químicos que destroem estrogênio, como o bisfenol-A (BPA) - encontrado em latas de alimentos, alguns plásticos duros e certos tipos de papel térmico usados para recibos e bilhetes - são outro potencial culpado. Fabricantes de produtos químicos têm questionado essa conexão e o FDA, departamento do governo americano que regula remédios e alimentos, atualmente diz que o BPA é seguro, mas a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar está atualmente reavaliando sua toxicidade - em janeiro de 2011, a Comissão Europeia proibiu o BPA na fabricação de mamadeiras de policarbonato. Você é o que come É preciso fazer uma ressalva aqui. Concentrar-se nesses fatores não relacionados a alimentos na causa da obesidade pode desviar o impacto inegável de grandes refeições com comida processada. A verdade é que estamos diante de influências externas que são difíceis de resistir: ingredientes projetados para explorar nossos caminhos neurais de recompensa, grandes porções e a normalização comercial do consumo rotineiro de açúcar, lanches com alto teor de gordura e bebidas açucaradas. Tudo isso é revestido por marketing manipulativo e interesses conflitantes. Estudos de pesquisadores da obesidade ligados à indústria alimentícia foram cinco vezes mais propensos a não encontrar nenhuma associação entre bebidas açucaradas e ganho de peso do que estudos feitos por autores sem nenhum conflito de interesse. Um pesquisador renomado que argumentou contra as listagens de calorias feitas por restaurantes da cidade de Nova York tinha ligações financeiras com Coca-Cola, PepsiCo, McDonald's e Mars. Os animais são igualmente suscetíveis ao irresistível consumo de alimentos processados - os micos que vivem na cidade de Medellín, na Colômbia, são mais gordos que seus colegas da área rural. Embora mais sedentários, com acesso mais fácil a árvores frutíferas, eles também comem biscoitos e marshmallows fornecidos pelos habitantes locais. Um macaco da Tailândia ganhou as manchetes internacionais recentemente quando ficou seriamente doente devido à superalimentação dos turistas. Se os animais podem nos ensinar sobre as causas da obesidade, eles também podem nos ajudar a entender seu tratamento e prevenção. E a pesquisa em animais de estimação pode ter maior relevância para os seres humanos, já que os ratos de laboratório muitas vezes não compartilham nossa diversidade genética, fatores psicossociais ou ambiente. Sintomas da obesidade O estudo da mutação genética nos labradores feito pela veterinária Raffan destacou as maiores semelhanças entre a POMC canina e humana, em comparação com o modelo de ratos que tradicionalmente estudamos. Os animais precisam ser ajudados e curados - animais obesos enfrentam osteoartrite, câncer, problemas cardíacos e respiratórios, distúrbios reprodutivos, doenças urinárias, diabetes e pancreatite. Os cães com sobrepeso também enfrentam uma expectativa de vida reduzida - dois anos e meio a menos que os cães com peso corporal saudável. Para os animais, as soluções parecem familiares: exercícios regulares e um regime alimentar equilibrado. Não culpe os donos Mas a especialista afirma que não devemos encarar a obesidade como uma espécie de falha moral nos donos ou nos próprios animais de estimação. "Estamos tão acostumados a condenar os seres humanos que estão acima do peso como sendo apenas gulosos e com falta de vontade", diz. Mas, ela aponta, isso é impreciso: o comportamento alimentar é suscetível a impulsos genéticos - e os cães são um exemplo disso. "Os cães não fazem julgamentos de valor. Eles comem porque estão com fome e essa variabilidade nos cães é complexa." Especialistas que escrevem na revista Veterinary Record também alertam contra a condenação dos donos de animais de estimação sem ajudá-los ou abordar problemas sociais subjacentes. Eles acreditam que muitos donos não alimentam em excesso seus animais de estimação intencionalmente, até porque muitos tendem a subestimar o peso de seus animais - por exemplo, foi um veterinário que disse a Formoy que seu cachorro Borris estava com problemas. "Borris parecia um pouco grande, mas você cria desculpas na sua cabeça (para não ver isso)", diz Formoy. Da mesma forma, poucos pais de crianças com excesso de peso reconhecem que seus filhos estão gordos. O status socioeconômico também tem impacto na obesidade em humanos e animais - isso se nota em bairros, por exemplo, com menos espaços verdes e menos recursos de condicionamento físico. Independentemente de você estar falando sobre um animal de estimação ou uma pessoa, a obesidade é um problema de saúde social, e não moral - e precisa de mudanças políticas mais amplas a serem abordadas. Quanto a Borris, Formoy diz que sua vitória na competição teve um sabor agridoce. Ela conta que seu pai não estava bem quando inscreveu Borris no concurso. "Ele era o melhor amigo do meu pai e a competição incentivou meu pai a sair com sua moto com o Borris ao seu lado", diz ela. Seu pai morreu em julho. "Eu pensei: 'Papai, eu e Borris ainda vamos ganhar isso por você'." Ela e Borris mantiveram essa promessa. Hoje, a artrite e as dificuldades respiratórias do cão ficaram no passado. Em sua história de obesidade superada, Borris tem algumas lições para todos nós.
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14/02 - Com surto de sarampo no Pará, Brasil corre risco de perder certificado de erradicação da doença
Ministério da Saúde divulgou alerta para que cobertura vacinal seja ampliada no país. Amazonas e Roraima enfrentaram surtos da doença em 2018. Sarampo: vacinação Foto: Cristine Rochol/PMPA Como mais de 10 mil casos de sarampo confirmados, o Brasil tem três estados com surto da doença. Depois de Amazonas e Roraima, o Pará registrou 62 casos da doença até o dia 28 de janeiro, segundo informou o Ministério da Saúde nesta quinta-feira (14). Com a persistência da circulação do vírus no país, o Brasil pode perder o certificado de erradicação da doença. Ao todo, o Brasil tem 10.302 casos confirmados da doença em 11 estados. O Amazonas registrou o maior número de casos com 9.803 casos confirmados. Em Roraima foram 355 casos confirmados. O ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta fez um alerta para que os secretários de saúde ampliem a cobertura vacinal dos municípios. Dados preliminares de 2018 apontam que 49% dos municípios do país (2.751) não atingiram a meta de cobertura vacinal, que deve ser igual ou maior que 95%. Segundo nota do ministério, os dados são ainda mais preocupantes nos estados com surto: no Pará 83,3% dos municípios não atingiram a meta; Roraima foram 73,3% e Amazonas, a metade 50%. Perda do certificado A Organização Mundial da Saúde informa que, por enquanto, o certificado de eliminação do sarampo no Brasil está mantido. O critério estabelecido para a retirada é a incidência de casos confirmados do mesmo vírus durante 12 meses. Segundo a OMS, a primeira pessoa infectada dentro do território brasileiro ocorreu em 19 de fevereiro de 2018. Se ainda tivermos casos registrados e confirmados nesta data em 2019, haverá a criação de um comitê de especialistas dentro da organização para avaliar a situação do Brasil. Apesar da confirmação laboratorial de três casos no Pará em 2019, o ministério ainda não registrou casos da circulação do vírus este ano. “Com o baixo índice de vacinação e a reentrada do sarampo no Brasil, há o risco de perdermos o certificado de área livre da doença. Se o Brasil perde as Américas perdem. Se as Américas perdem, uma pessoa não pode chegar e nem sair do continente sem a comprovação de vacina. Tem implicações muito grandes para todos os ambientes de negócios, para todas a instâncias turísticas, e o que significa em um mundo globalizado restrições por questão sanitária”, disse o ministro da Saúde em nota. O certificado foi concedido ao Brasil pela Organização Pan Americana de Saúde (OPAS/OMS), em 2016. O Brasil tem um modelo considerado exemplar quando o assunto é calendário de vacinação, mas a oferta de vacinas no SUS não tem sido suficiente para garantir a taxa desejável de cobertura vacinal da população. Por causa disso, em 2017 o país teve o menor índice de vacinação em crianças menores de um ano em 16 anos. Todas as vacinas recomendadas para adultos estão abaixo da meta de cobertura ideal.
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14/02 - Ministério da Saúde recomenda que moradores e visitantes do Sul e Sudeste se vacinem contra febre amarela
Todos os estados das regiões ainda estão abaixo da meta de cobertura vacinal. Regiões têm registro de circulação do vírus. Febre amarela: moradores e visitantes das regiões Sul e Sudeste devem se vacinar Divulgação O Ministério da Saúde divulgou nota nesta quinta-feira (14) recomendando que a população das regiões Sul e Sudeste se vacine contra a febre amarela. O mesmo vale para quem pretende visitar as regiões. Sul e Sudeste tem registro da circulação do vírus e o estado de São Paulo o maior número de casos. Quem deve se vacinar contra a febre amarela? Todos os estados da região estão abaixo da meta de cobertura vacinal, que deve ficar em 95%. A estimativa do ministério é de que cerca de 36,9 milhões de pessoas no Sudeste e 13,1 milhões no Sul não foram vacinadas. A Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu um comunicado recomendando que estrangeiros se vacinem contra febre amarela antes de visitar áreas de risco de contaminação pelo vírus. A recomendação do órgão internacional cita estados de outras regiões do país. A vacina deve ser dada ao menos 10 dias antes da viagem em pessoas que visitam os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Tocantins, Santa Catarina e São Paulo. De acordo com a OMS, os viajantes devem levar consigo os certificados internacionais de vacinação. Entre dezembro de 2018 e janeiro de 2019, foram registrados 36 casos de febre amarela em humanos em 11 cidades do Brasil. A maioria dos casos foi registrado em São Paulo e dois no Paraná, que não tinha registro de casos da doença desde 2015. A febre amarela causa sintomas como dor de cabeça, febre baixa, fraqueza e vômitos, dores musculares e nas articulações. Em sua fase mais grave, pode causar inflamação no fígado e nos rins, sangramentos na pele e levar à morte. Transmitida pelos mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes, a forma silvestre da doença é a variedade que ainda provoca surtos no Brasil. O país não registra casos de febre amarela urbana, transmitida pelo Aedes aegypti, desde 1942. Sintomas da febre amarela Arte/G1
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14/02 - Fim do horário de verão: como se adaptar à mudança para não ficar 'bêbado de sono' na 2ª feira
Em dez Estados e no DF, os relógios devem ser atrasados em uma hora à 0h de domingo; parece pouco, mas isso afeta o relógio biológico e pode ter efeitos negativos sobre nossa saúde e o bem-estar; saiba como minimizar esse impacto. Privação de sono afeta capacidade de atenção e concentração, reflexos e destreza motora Kevin Grieve on Unsplash O horário de verão chega ao fim neste sábado. Quem vive nos dez Estados e no Distrito Federal onde os relógios tiveram de ser adiantados há pouco mais de três meses, deve agora fazer o contrário e atrasar os ponteiros em uma hora à 0h de domingo. Pode parecer uma mudança pequena, mas ela pode afetar o funcionamento do organismo e ter impactos sobre o nosso bem-estar e saúde, explica o médico John Araujo, professor titular de Cronobiologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). "As pessoas pensam que vão ganhar uma hora, acabam ficando acordadas uma hora a mais e perdem o controle do horário de ir dormir. Acabam dormindo menos de sábado para domingo e de domingo para segunda-feira", diz Araujo. Araujo explica que o sono tem um "efeito reparador" para o nosso corpo, principalmente para o cérebro e que o acúmulo de deficit de sono tem "os mesmos efeitos de estar embriagado". "Afeta nossa capacidade de atenção e concentração, reflexos e destreza motora e aumenta a chance de haver acidentes", afirma o médico. Mas como minimizar esses efeitos e "atrasar" também o ritmo do corpo, acostumado desde 4 de novembro do ano passado com dias que amanhecem e anoitecem mais tarde? O que fazer para se acostumar à mudança de horário? A boa notícia é que é mais fácil se adaptar ao fim do horário de verão do que ao começo, explica a neurologista Andrea Barcelar, presidente da Associação Brasileira do Sono. "Também é assim quando viajamos. É mais simples se acostumar com um novo fuso horário e dormir mais tarde quando vamos para oeste, rumo aos Estados Unidos, por exemplo, do que dormir mais cedo quando vamos para o leste, na direção da Europa", diz Barcelar. Horário de verão foi mais curto neste ano Este período de horário de verão foi menor do que o anterior, porque seu início se deu mais tarde do que ocorria normalmente. Antes, costumava começar no terceiro domingo de outubro. Mas, em dezembro de 2017, o então presidente Michel Temer assinou um decreto que reduziu sua duração, a pedido do Tribunal Superior Eleitoral. Assim, seu início não mais ocorreria entre o primeiro e o segundo turno da eleição. O Planalto chegou a cogitar que a data fosse mais uma vez adiada, para 18 de novembro, desta vez para atender um pedido do Ministério da Educação, para não interferir com a realização do Enem. Mas acabou sendo mantido seu começo em 4 de novembro. O horário de verão foi criado no Brasil em 1931 durante o governo de Getúlio Vargas (1882-1954), mas suspenso por decreto várias vezes - os mais longos períodos sem horário de verão foram de 1933 a 1949, e de 1968 a 1985. O governo Temer chegou cogitar acabar por completo com essa medida, após um estudo do Ministério de Minas e Energia apontar queda na efetividade da iniciativa na economia de energia. O ministério explicou que o perfil do consumo de eletricidade não estava mais ligado diretamente ao horário e sim à temperatura, com os picos de uso de energia passando do início da noite para o começo da tarde, período mais quente do dia. Onde tem horário de verão? Distrito Federal Espírito Santo Goiás Mato Grosso do Sul Minas Gerais Paraná Rio de Janeiro Rio Grande do Sul Santa Catarina São Paulo A melhor forma de atenuar as consequências do fim do horário de verão, explica a neurologista, é adaptar o corpo aos poucos à mudança de horário, antecipando o momento de ir dormir dia a dia. "Nosso corpo leva cerca de dois dias para se ajustar a uma mudança de 15 minutos, então, para 1 hora, seria necessária uma semana", diz Barcelar. Mas quem não se antecipou ainda pode seguir outras recomendações: Desacelere: não programe muitas coisas à noite no fim de semana e, se possível, escureça a casa. "A claridade inibe o sono. Se você estimular um sono precoce, vai estar mais desperto na segunda-feira", diz Araujo. Desligue as telas: a televisão, o computador e o celular devem ser evitados. "A luz azul na retina atrasa a produção de melatonina (o hormônio do sono)", explica Barcelar. Uma alternativa é instalar aplicativos no celular e no computador para filtrar e diminuir a luz azul durante o período noturno. Evite atividade física à noite: fazer exercícios ativa o sistema nervoso central, o que nos deixa excitados e dificulta dormir mais cedo. Jante leve e mais cedo: adiante também em uma hora a última refeição, que não deve ser pesada e feita no máximo duas horas antes de deitar para não ir dormir com o estômago cheio demais. Seguir esses passos é uma forma de fazer um "ajuste manual" em nosso relógio biológico, nome dado aos mecanismos usados por nosso organismo para ditar o ritmo do corpo em compasso com ciclos de 24 horas. "Isso é fruto da evolução, uma reação aos eventos geofísicos da rotação da Terra", diz Araujo. Relógios devem ser atrasados em uma hora à meia noite de sábado para domingo Andrea Natali/Unsplash Como funciona o relógio biológico Estudos já mostraram que quase todos os seres vivos do planeta têm um relógio biológico, que antecipa os momentos do dia e prepara o organismo para eles, alterando níveis hormonais, funções vitais, temperatura corporal e metabolismo, o que nos deixa mais ou menos alertas em diferentes fases do dia. "É como um maestro que rege a orquestra de órgãos do nosso corpo, criando uma lógica temporal para seu funcionamento e a sequência de eventos mais eficiente", diz Araujo. A partir da metade do século 20, cientistas fizeram descobertas que lançaram uma luz sobre o funcionamento e complexidades deste mecanismo. Pesquisas sobre a cronobiologia, que estuda os ciclos temporais dos organismos, inclusive renderam a um trio de cientistas americanos o Prêmio Nobel de Medicina no ano passado. Jeffrey C. Hall, Michael Rosbach e Michael W. Young anunciaram em 1971 a descoberta de um gene que regula o relógio biológico na mosca-da-fruta e mostraram como ele rege a fabricação de uma proteína que se acumula nas células durante noite e se degrada durante dia, regulando o chamado ritmo circadiano de organismos multicelulares, incluindo o ser humano. Duas décadas depois, os cientistas descobriram outro gene que leva à produção de uma segunda proteína que regula o ciclo de acúmulo e degradação da proteína identificada anos antes. Desde então, cientistas apontaram outros genes que têm um papel nesse mecanismo, influenciados tanto por fatores internos quanto externos, que vão além da luz, como nossa alimentação e nível de atividade física. Um descompasso nesse mecanismo gerado por eventos como o fim do horário de verão tem impactos sobre nosso organismo. "É importante que as pessoas estejam conscientes desses efeitos e tenham muita atenção com qualquer atividade que gere riscos no domingo e na segunda-feira, como dirigir e operar máquinas pesadas", diz Araujo. Por sua vez, Barcelar recomenda: "Para minimizar os impactos, é hora de aproveitar que estamos voltando do carnaval e segurar um pouco a vontade de sair à noite e aproveitar para dormir mais cedo."
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14/02 - O surpreendente caso dos gêmeos que têm pais diferentes
Diferentemente do que acontece com muitos casais homossexuais, Simon e Graeme não tiveram que escolher qual dos dois seria o pai biológico dos bebês. Simon e Graeme Berney-Edwards com seus filhos Alexandra e Calder BBC Calder e Alexandra são irmãos gêmeos, mas não têm o mesmo pai. Quando Simon e Graeme Berney-Edwards receberam a notícia de que seriam pais, não conseguiram conter a emoção. E, como milhões de casais em todo o mundo nessa situação, sentiram as lágrimas escorrer pelo rosto. O caso deles, no entanto, não se parece com o da maioria. Para começar, os pais acompanharam o primeiro ultrassom por meio de uma vídeo-chamada feita por Meg Stone, que se ofereceu como barriga de aluguel, diretamente do Canadá. O casal, que mora no Reino Unido, assistiu a tudo de casa. "Lembro que sentamos à mesa de jantar por duas horas, indo da euforia às lágrimas", contou Simon durante uma entrevista ao programa da jornalista Victoria Derbyshire, na BBC. Mas, diferentemente do que acontece com muitos casais homossexuais, Simon e Graeme não tiveram que escolher qual dos dois seria o pai biológico dos bebês, uma vez que Stone gestaria um filho concebido por cada um. E foi exatamente o que aconteceu: Alexandra é filha de Simon, enquanto Calder é filho de Graeme. Mas como isso foi possível? As crianças, agora com 19 meses, vivem no Reino Unido com os pais. Mas o processo para trazê-las ao mundo envolveu muita logística e ciência. Foram quatro pais, três países e dois bebês. Simon e Graeme com Meg Stone, que gestou as crianças, e os dois bebês Pixabay Quando Simon e Graeme decidiram aumentar a família, foram até uma agência especializada em ajudar casais em procedimentos de fertilização in vitro. Inicialmente, a ideia era primeiro ter um filho gerado por um deles e, mais tarde, um segundo filho concebido pelo outro. No entanto, a agência sinalizou que era possível ter as duas crianças ao mesmo tempo e com a mesma mãe. Depois de hesitar um pouco, o casal decidiu ir adiante com essa estratégia, e conseguiu uma doadora anônima de óvulos nos Estados Unidos. Eles foram até Las Vegas, onde os óvulos foram coletados e divididos em dois grupos: metade seria fertilizada com o esperma de Simon, e a outra, com o de Graeme. Os embriões resultantes da fertilização foram congelados até o momento da implantação no útero da mulher que gestaria as crianças. Barriga de aluguel no Canadá O casal decidiu procurar a mãe de aluguel no Canadá, porque embora a prática da barriga de aluguel seja permitida no Reino Unido, o arcabouço legal canadense oferecia mais tranquilidade por facilitar a realização de acordos. Segundo contaram à BBC, eles não estavam confortáveis com o fato de que no Reino Unido as certidões de nascimento seriam emitidas originalmente em nome da gestante, que teria até seis semanas para decidir se ela queria ou não ficar com as crianças. "Escolhemos o Canadá porque gostamos da estrutura jurídica que eles têm, é muito semelhante ao Reino Unido, no sentido de que é muito altruísta, não é um negócio", disse Simon. "Para nós, era muito importante ter um bom relacionamento de longo prazo com a mãe de aluguel, porque não podemos ter um vínculo com a doadora de óvulos anônima. Queremos que eles tenham uma relação no futuro, mas a estrutura legal no Canadá é mais clara e oferece mais garantias", acrescentou. Uma vez que os embriões foram implantados, Simon e Graeme acompanharam a gravidez remotamente e se programaram para ir ao Canadá cerca de seis semanas antes da possível data de nascimento. Essa antecedência, no entanto, não poupou o casal de levar um susto uma semana antes da viagem, quando houve um alarme falso de trabalho de parto. "Vocês pensam em ter mais filhos?", perguntou Victoria Derbyshire. "Nós sempre dissemos que se tivéssemos a sorte de ter um (filho) de cada um seria suficiente. Não consideraríamos ter quatro, mas nunca digo nunca", afirmou Simon, revelando que ainda tem nove embriões congelados.
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14/02 - Ansiedade financeira, efeito colateral da aposentadoria
Além de gerenciar o orçamento, liste suas habilidades que podem ser transformadas em prestação de serviço Com a proximidade ou o início efetivo da aposentadoria, é muito comum o que se poderia chamar de ansiedade financeira, mesmo para quem acha que se preparou razoavelmente para essa nova fase da vida. Quando outras fontes de renda cessam e dispomos apenas do benefício e do que foi possível acumular, a sensação de inquietude fica à espreita: e se houver um imprevisto que leve de roldão tudo o que foi economizado? Também pode ocorrer uma “aposentadoria” forçada, por causa de problemas de saúde ou demissão, o que encurta as projeções de poupança e ainda embute o risco de retiradas do que foi guardado bem antes do planejado. Uma boa forma de lidar com essa ansiedade é zelar pelo orçamento, anotando todas as despesas e conferindo se estão dentro das suas expectativas. Se você calculou mal e está gastando além do que deveria, quanto antes fizer os ajustes necessários, melhor. O ideal seria que, antes da aposentadoria, todos tentássemos viver durante três ou quatro meses com o montante do qual vamos dispor, para testar se nossas premissas estão corretas. Nessa fase, ainda é possível optar por trabalhar por mais alguns anos e engordar o cofrinho. Ajustes no orçamento: quando não é possível cortar despesas, é importante pensar em formas de ganhar um extra https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Accounting#/media/File:Analyzing_Financial_Data_(5099605109).jpg No que se refere a ajustes no orçamento, quando não é possível cortar despesas, é importante pensar em formas de ganhar um extra. Numa economia ainda patinando, o risco de abrir um negócio é grande, mas o que fazer para ganhar mais R$ 500 ou R$ 1 mil por mês? Não jogue a toalha achando que a partida acabou, porque a experiência é sua aliada. Faça uma lista de suas habilidades e quais poderiam se transformar em prestação de serviços. Vamos lá: dar aulas de reforço escolar; revisar textos; cuidar de animais de estimação quando os donos viajam (o trabalho de pet sitter está em expansão); fazer reparos caseiros; consertar roupas; preparar bolos, lanches ou marmitas; alugar uma vaga de garagem ou o próprio carro; ou um quarto vago e até mesmo a casa toda por temporada, caso tenha onde ficar. Se tiver energia extra, avalie a possibilidade de se tornar inclusive um cuidador. Uma outra questão da maior relevância: cuide da sua saúde! Em primeiro lugar, para poder curtir o tempo livre do qual dispõe agora; em segundo, porque os custos médicos são os que desequilibram o orçamento. A maioria das pessoas calcula sua expectativa de vida baseada na geração que a antecedeu, o que é um erro. Na verdade, há uma boa chance de vivermos mais 20 ou 30 anos que nossos pais. Há diversas calculadoras que projetam o tempo que nos resta – por exemplo, uma brasileira de 60 anos viverá, em média, até os 83 anos (um homem, até os 80). Esta pode ser uma ferramenta útil para sermos realistas em nossas projeções. Nem quem está na casa dos 20 anos deveria acreditar que a vida é curta e tem que ser aproveitada sem planejar o futuro. Nossa trajetória se estendeu e temos que aprender a lidar com isso. O conselho dos consultores financeiros é claro: poupar tem que coincidir com o começo da trajetória profissional. Quem está com 25 anos deveria guardar 10% da sua renda (o equivalente à idade menos 15) e, conforme a idade a avança, maior terá que ser a poupança.
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13/02 - Gravidez: 'Quase abortei meu bebê após um exame pré-natal que estava errado'
Quando ficou grávida, Claire Bell decidiu fazer um exame que poderia indicar se seu bebê poderia ter alguma condição genética rara. Recebeu um resultado positivo para Síndrome de Turner, mas acabou descobrindo que o teste não era preciso nesse caso. Claire engravidou na primeira tentativa de fertilização in vitro, aos 41 anos, e se submeteu a um teste para detectar se o bebê poderia ter alguma condição genética rara BBC Quando ficou grávida, Claire Bell fez um exame que indicaria se o seu bebê poderia ter alguma condição genética rara. Pouco tempo depois, recebeu uma notícia difícil. Por cinco anos, o marido de Claire havia sido tratado contra dois tipos de câncer. Quando o tratamento acabou, o casal decidiu tentar engravidar por fertilização in vitro, usando esperma que o marido havia congelado antes de fazer quimioterapia. Na primeira tentativa, aos 41 anos, Claire ficou grávida. "Foi uma gravidez milagrosa. Deu certo no primeiro embrião", diz ela. Então, o casal decidiu que gostaria de saber se havia chance do bebê ter Síndrome de Down. Assim, pagou por um exame que examina o DNA de pequenas partículas da placenta que circulam no sangue da mãe. É o chamado NIPT, ou Teste Pré-Natal Não Invasivo. "Eu e meu marido tínhamos consciência de que não teríamos condições de cuidar de um bebê com Síndrome de Down", diz Claire, uma jornalista investigativa da África do Sul, que vivia na Escócia naquela época. "Nós sentíamos que não tínhamos condições emocionais, depois de cinco anos lidando com um tratamento contra o câncer." Claire fez o teste em uma clínica particular de fertilização in vitro. Ao colher o material, foi questionada se gostaria que o DNA de sua placenta também fosse testado em relação a outras condições cromossômicas raras. "Eles disseram: se você não aceitar, nós não poderemos dizer qual é o sexo do bebê. Eu não queria saber o sexo, mas meu marido queria. Então, eu pensei, tudo bem". Questionada pela BBC, a clínica disse que os pacientes "são explicitamente aconselhados sobre o exame e os possíveis resultados", além de receberem uma explicação sobre as limitações do teste. Segundo Claire, a clínica informou que mandaria um email se estivesse tudo ok. E que telefonaria se houvesse algo a discutir. Cerca de uma semana depois, quando Claire e seu marido estavam de férias na França, o telefone tocou. "O médico me falou que o bebê tinha uma chance de ter Síndrome de Turner." A Síndrome de Turner é uma condição cromossômica que afeta apenas meninas. Há diversos sintomas potenciais, como ser pequena ou ter problemas de fertilidade. Mas as informações que Claire recebeu da clínica pintaram uma imagem sombria sobre a vida com a Síndrome de Turner, afirma ela. "Eu pensava que isso (o teste) era científico, era um fato. Eu não parava de chorar. Eu me sentia sem esperança". Claire chegou a pensar que fazer um aborto seria o ato mais gentil que poderia tomar em nome de sua filha. Mas, ao fim do dia, Claire conversou com uma amiga, que a encorajou a pesquisar mais sobre o exame que havia feito. Assim, Claire acabou descobrindo que o resultado poderia não ser tão trágico quanto parecia. Claire recebeu uma ligação da clínica onde fez o teste dizendo que o resultado havia dado positivo para Síndrome de Turner Angela Catlin NIPT é indicado para identificar Síndrome de Down O NIPT é usado principalmente para detectar Síndrome de Down e duas outras anomalias cromossômicas - Síndrome de Edwards e Síndrome de Patau. Profissionais da saúde concordam que, quando usado corretamente, o teste tem resultados bastante confiáveis nesses três casos. Mas o NIPT ainda não passou por análises clínicas rigorosas a respeito de sua eficácia para detectar outras condições raras. Um artigo publicado no periódico médico "Ultrasound in Obstetrics and Gynaecology" argumenta que o NIPT tem uma "alta taxa de falha" na detecção da Síndrome de Turner (quando uma menina tem apenas uma cópia do cromossomo X) e Síndrome de Klinefelter (quando um menino tem duas cópias do cromossomo X e um cromossomo Y). Em ambos casos, segundo o artigo, o NIPT tem uma baixa taxa de detecção e uma alta taxa de falso positivo. "No teste NIPT, (clínicas privadas) dizem que é possível testar uma ampla gama de condições, para as quais nós não temos nenhum dado sobre o quão efetivo é o teste e se pode vale a pena fazê-lo ou não", diz um dos autores do estudo, Kypros Nicolaides, professor de medicina fetal no King's College Hospital, em Londres. Segundo Nicolaides, muitas mulheres na Inglaterra estão fazendo a versão ampliada do NIPT oferecida por clínicas privadas. Preocupadas com o resultado, algumas delas acabam procurando a rede pública de saúde para realizar um outro tipo de teste, mais invasivo, que acaba mostrando que o resultado do NIPT estava errado. Teste positivo e bebês sem síndrome alguma O teste mais invasivo mencionado por Nicolaides envolve uma biópsia de placenta ou a retirada de uma amostra do fluido amniótico – em ambos casos, há um pequeno risco de aborto. Claire Bell não chegou a fazer esses testes mais invasivos porque, à medida que se aprofundava a respeito da eficácia do teste NIPT na detecção da Síndrome de Turner, mais incrédula ficava no resultado que havia obtido. A jornalista leu na internet a respeito de mulheres que haviam feito o teste NIPT e recebido o mesmo resultado que ela: havia um alto risco de seus bebês terem Síndrome de Turner. Porém, as crianças nasceram sem a síndrome. Em seguida, Bell leu que a proporção de resultados verdadeiros poderia ser de apenas 40% para uma mulher de 41 anos como ela. Então, ligou para o médico que havia lhe dado o resultado ao telefone e perguntou se essa informação poderia ser verdadeira. "Sim, mas nós não sabemos", disse ele. Ainda sem saber o que fazer, Claire telefonou para sua tia. Na ligação, descreveu alguns dos sintomas que meninas com Síndrome de Turner poderiam ter - não são deficientes intelectuais, mas podem ter dificuldade com localização espacial e matemática, além de serem baixinhas. "Você não pode abortar um bebê porque ele pode ser baixinho e ir mal em matemática", disse sua tia. Claire continuou a pesquisar e acabou descobrindo que a própria empresa que inventou o teste sugeriu que o mesmo poderia não ser apropriado para detectar Síndrome de Turner em geral. Em vez disso, a empresa dizia que o teste "poderia ser utilizado" quando houvesse um histórico familiar de anomalia cromossômica similar ou quando um ultrassom houvesse levantado dúvidas a este respeito. "Pensar que eu poderia ter abortado, que passou pela minha cabeça abortar, isso é...", diz Claire, fazendo uma pausa na tentativa de encontrar as palavras corretas. "É muito importante que as mulheres saibam que esse teste tem muitos falso positivos." Em junho de 2018, nasceu a filha de Claire, Fintry, sem nenhum sintoma de Síndrome de Turner. Quando a menina completar um ano, Claire vai levá-la para fazer um exame de sangue que pode identificar se, de fato, tem ou não a condição. "Ela é saudável, linda e cheia de sorrisos", diz Claire. Em nota enviada para a BBC, a clínica afirma que vai continuar a trabalhar "com padrões profissionais, permitindo que homens e mulheres tenham o direito de escolher". O que devo pensar se o teste NIPT disser que meu bebê tem Turner? Análise de Robert Cuffe, chefe de estatística da BBC News Se uma condição genética é muito rara, a maioria dos testes com resultados positivos é, na verdade, apenas um susto. Portanto, a taxa de precisão técnica é enganosa. O resultado de um teste pode parecer um diagnóstico certeiro quando diz que tem 95% de precisão. Mas, em muitos casos, ainda assim é muito provável que seu bebê esteja completamente bem. A explicação "95% de precisão" serve para estatísticos e responsáveis por órgãos de regulação. Mas não diz para você qual é a chance de um resultado positivo indicar um diagnóstico verdadeiro. Significa, por exemplo, que 5 de cada 100 pessoas saudáveis testadas receberão um susto: um falso positivo. Mas, se for uma condição rara, por exemplo, menos de 1 em 100, então a maioria dos testes positivos serão simplesmente sustos. Profissionais da área médica concordam que, para Síndrome de Down e algumas outras condições, a precisão técnica do teste NIPT pode fornecer uma orientação útil. Mas não é o caso com condições mais raras, como a Síndrome de Turner Então, pergunte para o seu médico antes de tomar qualquer grande decisão. E, se você se sentir tentada a perguntar para o "Dr. Google", procure saber quão comum é a condição, antes de tentar tirar qualquer conclusão.
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13/02 - Nasa anuncia fim das atividades do robô Opportunity em Marte
Contato foi perdido desde 10 de junho de 2018, quando uma tempestade de poeira envolveu o planeta vermelho. Ilustração mostra o jipe Opportunity em Marte Nasa O robô Opportunity, que está em Marte desde 2004 e confirmou a existência de água no planeta, foi declarado "morto" pela agência espacial americana (Nasa) nesta quarta-feira (13). Isso encerra oficialmente uma das missões mais bem-sucedidas da história da exploração do sistema solar. O contato foi perdido em 10 de junho de 2018, quando uma tempestade de poeira envolveu o planeta vermelho e escureceu a atmosfera por vários meses. O veículo foi impedido, então, de recarregar as baterias solares. Initial plugin text Após oito meses e centenas de mensagens enviadas da Terra sem uma resposta, a Nasa anunciou que a última tentativa foi feita na noite de terça-feira (12). A comunidade de pesquisadores e engenheiros envolvidos no programa está "de luto pela morte" do robô. "Passamos a noite no laboratório JPL pelas últimas ordens enviadas ao robô Opportunity em Marte. Foi tranquilo, choramos, nos abraçamos, compartilhamos lembranças e risos", tuitou Tanya Harrison, diretora de pesquisa da Universidade do Estado do Arizona e colaboradora do programa em Los Angeles. "É muito emocionante saber que eu realmente estive lá para ela até o final", escreveu a pesquisadora, referindo-se no feminino ao Opportunity Keri Bean, que teve o "privilégio" de enviar a mensagem final ao robô na tarde desta terça-feira.
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13/02 - Nasa confirma fim da missão com robô Opportunity em Marte após quase 15 anos
Sonda não respondia aos contatos da agência norte-americana. Uma tempestade de poeira é apontada como causa da 'morte' do robô. Ilustração mostra o jipe Opportunity em Marte Nasa A agência espacial norte-americana (Nasa) anunciou nesta quarta-feira (13) o encerramento da missão com o robô Opportunity em Marte. O equipamento ficou oito meses sem responder aos contatos dos funcionários nos Estados Unidos após uma tempestade de poeira danificar os sistemas. A Nasa tentou por mais de 800 vezes desde o ano passado restabelecer o contato com o robô, informou o administrador da agência, Jim Brindestine. Mesmo com a "morte" da sonda, ele celebrou a longa vida útil do equipamento, a quem apelidou de "Oppy". "Feita para explorar o Planeta Vermelho por 90 dias, Oppy estendeu o tempo da missão para mais de 14 anos #ObrigadoOppy", escreveu Brindestine no Twitter. Initial plugin text Em nota, a Nasa informou que o Opportunity percorreu cerca de 45 quilômetros – quando a expectativa era de que o robô andasse apenas um. "Ele chegou até o local mais apropriado para ser seu local de descanso eterno – o Mar da Perseverança", disse a Nasa. Tempestade em Marte Imagem da Nasa mostram jipe Opportunity, que estava desaparecido após tempestade de areia Nasa Uma gigantesca tempestade de poeira que durou vários meses "matou" o robô, cuja última comunicação foi em 10 de junho de 2018. A poeira escureceu a atmosfera, impedindo que os painéis solares do robô recarregassem suas baterias. Desde então, os engenheiros da Nasa tentavam obter uma resposta do Opportunity nos canais de rádio. A última tentativa de retomar o contato com o robô em Marte teria ocorrido na tarde de terça-feira. "Nós fizemos todos os esforços possíveis de engenharia para tentar recuperar o Opportunity; e consideramos que a possibilidade de receber um sinal é muito pequena para continuar os esforços", disse John Callas, gerente do projeto Mars Exploration Rover.
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13/02 - Salmonela: entenda o que é e como evitar
Bactérias do tipo 'Salmonella' que contaminam alimentos são a principal causa de intoxicações alimentares. Risco é maior em preparos que utilizam ovos ou carnes mal cozidos. Bactéria salmonela (em vermelho) infecta células humanas em imagem de microscópio Pixabay Conhecida por ser a maior responsável por quadros de intoxicação alimentar, a salmonela (Salmonella enterica e Salmonella bongori) é um tipo de bactéria transmitida pela ingestão de alimentos crus ou mal cozidos contaminados por fezes. Ela causa uma infecção bacteriana chamada salmonelose. Europa é mais rigorosa com relação à salmonela na produção de frango; entenda a diferença BRF anuncia recolhimento de 164,7 toneladas de frango da Perdigão por possível presença de salmonela Os principais sintomas da doença são dor abdominal, vômitos e diarreia e costumam surgir de 12 a 36 horas depois da ingestão de comidas contaminadas. Presente nas fezes de indivíduos doentes e também de animais contaminados, a bactéria se espalha rapidamente quando as condições de higiene são precárias. O microrganismo geralmente contamina alimentos crus, como carnes, especialmente de aves, leite não pasteurizado e ovos. Para evitar a doença, médicos infectologistas recomendam cuidado extra com preparos que levam ovos crus, como maionese, e também com a carne de frango, que deve ser consumida sempre bem passada. Embora a bactéria seja geralmente associada a alimentos de origem animal ela também pode ocorrer em verduras e legumes que tiveram contato com água contaminada. Sintomas e tratamento Os sintomas da salmonelose variam em intensidade de acordo com a quantidade de alimento contaminado ingerido e também com o nível de degradação do produto consumido. Os mais comuns são vômito, diarreia, dor abdominal e febre. Na maioria dos casos a doença persiste no corpo humano por um período limitado e determinado. Assim, o tratamento pode ser feito em casa e é focado em aliviar os sintomas e manter o paciente bem hidratado. Recomenda-se que o doente permaneça em repouso e beba bastante água ou soro caseiro para evitar desidratação. Se os sintomas persistirem por mais de três dias, o Ministério da Saúde recomenda que seja procurada uma unidade de saúde. O uso de antibióticos é recomendado pelo ministério apenas quando as bactérias contaminam outros órgãos além do intestino e se espalham pela corrente sanguínea. Nesses casos mais graves podem surgir sintomas como dor de cabeça e calafrios além de dor nas articulações, dificuldade em urinar, inflamação nos olhos e artrite. O tratamento com antibióticos não é recomendado para casos leves ou moderados em pessoas saudáveis. Isso porque esses medicamentos podem não eliminar completamente as bactérias que causam a salmonelose. Nesses casos há o risco de o antibiótico criar cepas resistentes, tornando o tratamento ineficaz. Bebês, crianças e idosos, que são mais suscetíveis à desidratação, correm maior risco com a doença. Pessoas que possuem imunidade debilitada e portadoras de anemia falciforme também fazem parte do grupo que pode desenvolver complicações. Quando vários casos de infecção por salmonela transmitida por alimentos contaminados são constatados em um mesmo estabelecimento, a Vigilância Sanitária local deve ser contatada. Como evitar Como a salmonela é eliminada dos alimentos quando os produtos são cozidos, fritos ou assados completamente, a maioria dos cuidados para impedir a intoxicação pela bactéria envolvem atenção especial aos alimentos crus. Veja as principais recomendações do Ministério da Saúde para evitar a salmonelose: Lave as mãos antes, durante e depois de manipular ou consumir alimentos. Higienize vegetais deixando-os mergulhados em um litro de água com hipoclorito de sódio ou uma colher de chá de água sanitária. Ovos e carnes - especialmente as de aves, mais sujeitas à contaminação - devem ser bem cozidos ou assados. Prefira consumir leite pasteurizado ou fervido ao invés de leite cru. Descongele carnes aos poucos, na geladeira, antes do preparo. Lave bem utensílios de cozinha usados na preparação de carnes cruas e não deixe que eles entrem em contato com alimentos já prontos. Mantenha ovos sempre sob refrigeração. Anvisa alerta sobre os cuidados com a salmonela Betta Jaworski/G1 Vídeos sobre o tema Veja abaixo vídeos do programa Bem Estar sobre a salmonela: Exclusivo na web: Especialista ensina como evitar salmonela no ovo Salmonella vem principalmente da carne e do ovo, explica especialista Contaminação por salmonella ou shighella não altera sabor ou aparência da comida
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